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A oportunidade da autopublicação diante da crise
Paulo Tedesco

O mais recente artigo do Carlo Carrenho, sobre a desnecessidade do selo editorial e suas implicações no custo x benefício da mensagem publicitária, me impulsionou a escrever um novo artigo. Desta vez, quero defender a importância da autopublicação no mercado editorial contemporâneo e das oportunidades para o negócio do livro em tempos de golpe.

 

Muitos editores e profissionais do livro, talvez acreditando que algo possa lhes roubar o mercado, sentem arrepios com a autopublicação, torcendo o nariz quando se chega ao assunto. Isso, porém, não deveria impedir que se valorizasse ou ao menos que se estimulasse esse formato de participação no mercado editorial.

 

A autopublicação é a melhor forma, hoje, de auxiliar títulos e autores em áreas cinzentas de vendas, bem como aqueles que não ainda tenham conquistado algum concurso literário ou reconhecimento relevante, e que, se bem apoiados, poderiam vir a despertar para novas carreiras.

Não é demais citar o exemplo de autores de livros infantis e infantojuvenis que tentam escrever para o público adulto ou até livros técnicos ou de não não-ficção. Muitas vezes, nessas tentativas, eles naufragam nas vendas e na recepção crítica. O desastre poderia não ser tão impactante ou até mesmo evitado se autores como estes se autopublicassem, havendo aí mais orientação, uma estratégia mais racional para que o autor acreditasse e apostasse em tiragens pequenas e etc...

 

Apoiar o autor em qualquer área e qualquer gênero, para que se autopublique, sem com isso esquartejá-lo em valores e burocracias absurdas, é sim tarefa de quem está já dentro do mercado.

 

E esse apoio não é oferecer as estruturas da editora para vender-lhe algo, é principalmente informar e orientar. Mostrar, por exemplo, que esse modelo do KDP da Amazon -- em que se produz e distribui gratuitamente um título em formato digital -- não poderia nem deveria ser jamais feito, seria por si uma boa iniciativa. Mas dá para ir além e desenvolver alternativas através da editora, onde o autor possa experimentar um novo texto, um novo gênero e novas áreas.

 

Hoje temos muitas editoras preocupadas em salvar seu modelo de negócio, livrarias perdendo vendas para a internet e outras formas de venda, enquanto distribuidoras lutam por outros produtos para manter sua logística. Se somarmos com a ausência de respostas para a demanda da autopublicação e certo oba-oba com a suposta salvação milagrosa de livros formato e-book, o resultado não poderia ser outro do que esse cenário para lá de esquisito de números ruins e de perplexidade diante de um quadro inesperado.

 

O fato é que grandes editoras internacionais estão adquirindo braços de negócios para atender a autopublicação, e investindo com força em alternativas de edição e publicação. O que nos diz que o Carlo Carrenho levantou a questão na hora exata: por que se preocupar com um selo, uma marca, quando a questão da sobrevivência diante da crise bate à porta? Crises servem para nos readequar mas sobretudo para abrir novos caminhos, e repensar não tira pedaço, pelo contrário, acrescenta.


21/07/2016

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  Paulo Tedesco

É escritor de ficção, cronista e ensaísta, atua como professor e desenvolvedor de cursos em produção editorial e consultoria em projetos editoriais, também como orientador em projetos de inovação em diferentes setores. Trabalhou nos EUA, onde viveu por cinco anos, nas áreas de comunicação impressa, indústria gráfica e propaganda. É autor dos livros Quem tem medo do Tio Sam? (Fumprocultura de Caxias do Sul, 2004); Contos da mais-valia & outras taxas (Dublinense, 2010) e Livros: um guia para autores (Buqui, 2015). Desenvolveu e ministra o curso de Processos Editorais na PUCRS e coordena o www.consultoreditorial.com.br atendendo autores e editores. Pode ser acompanhado pelo seu site, pelo Facebook ou pelo Twitter.

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