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Independência do escritor
Paulo Tedesco

Observando os atores de cinema e televisão e também alguns músicos, se abriu um caminho que não era nada novo mas trazia bons exemplos: os artistas de cinema e TV passavam também a diretores e produtores de seus próprios filmes e espetáculos. Era gente que saía da frente das câmeras e microfones e passava a se organizar, e que aprendia, e inarredavelmente exercia o comando central de suas novas e autônomas carreiras – e nem por isso sentia-se diminuído em suas carreiras artísticas, mas se sobrevalorizava e passava a ter vida nova e bons horizontes criativos.

Lembrei, então, da autopublicação, pois graças às inovações em impressão e venda, o escritor, tal como os atores que viravam diretores e produtores, poderia agora buscar sua autonomia e planejamento. Sim, o escritor pode, hoje, na conta das inovações, gerenciar toda sua obra captando dinheiro em “crowdfunding” digital, imprimindo em baixíssimas tiragens para efeito de teste de algumas de suas obras – ou até unitariamente, em sistemas com o do I-Suply – e também vendendo coletivamente, seja através da internet e das redes sociais ou para seu círculo intelectual e social de qualquer lugar do mundo.

Nos EUA, por exemplo, para o mercado em língua inglesa, existem capas como opção de “templates” para serem adquiridas e adaptadas, assim como diagramações de miolo pré-prontas. No Brasil ainda não chegamos a esse nível, mas há bons revisores e leitores críticos, assim como capistas e excelentes diagramadores para fazer de qualquer livro uma boa peça gráfica e editorial, a custos e qualidade muito bons e totalmente a distância. Também há a geração do ISBN facilitada para Biblioteca Nacional, bem como o serviço dos Correios, com o envio de impressos de registro módico exclusivos para livros, com preços de arrasar e dotados de códigos de rastreamento para serem acompanhados pela internet.

Na Inglaterra, um dos maiores mercados do livro do mundo, 25% do mercado já é de autopublicação. Destarte as diferenças econômicas e tecnológicas e também geográficas que nos separam, não deixa de ser um sinal para o rumo que podemos seguir. Logo, as editoras e as livrarias devem já estar a sentir o impacto dessas inovações, e sentirão mais, muito mais, se não se adaptarem para atender as novas demandas de autores e leitores.

Nada impede, porém, em termos um editor parceiro, um agente literário para negociações maiores diante de algumas perigosas armadilhas para nossos direitos autorais. Mas, a exemplo do músico que sobe no palquinho num bar da madrugada e arranhando algumas notas consegue um estágio probatório para sua carreira, a autopublicação, no Brasil, vem se indicando como a grande sacada para qualquer início de carreira, e muito possivelmente em toda a carreira.

E se o fundo morto de catálogo acabou e qualquer autor pode começar sua carreira por suas forças próprias, também não mais existe o leitor não atendido e o autor não lido. Logo, e é com certo alívio que vejo não só o preconceito com a autopublicação desaparecer, como, a exemplo do cinema e seus atores diretores e produtores, novas e belas formas de leitura e literatura estão a florescer, fruto dos novos modelos de edição e publicação.


25/05/2016

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  Paulo Tedesco

É escritor de ficção, cronista e ensaísta, atua como professor e desenvolvedor de cursos em produção editorial e consultoria em projetos editoriais, também como orientador em projetos de inovação em diferentes setores. Trabalhou nos EUA, onde viveu por cinco anos, nas áreas de comunicação impressa, indústria gráfica e propaganda. É autor dos livros Quem tem medo do Tio Sam? (Fumprocultura de Caxias do Sul, 2004); Contos da mais-valia & outras taxas (Dublinense, 2010) e Livros: um guia para autores (Buqui, 2015). Desenvolveu e ministra o curso de Processos Editorais na PUCRS e coordena o www.consultoreditorial.com.br atendendo autores e editores. Pode ser acompanhado pelo seu site, pelo Facebook ou pelo Twitter.

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