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Quadrinhos neles
Paulo Tedesco

Há não muito atrás se discutia o valor das histórias em quadrinhos, se eram “nocivas” à educação, e se deveriam ser banidas de qualquer atividade cultural de adultos e crianças. E a coisa prosseguia pela fala do Chico Bento ou do Cebolinha serem ou não ameaças à boa alfabetização das crianças.

O preconceito era tão ridículo que se aceitava e se defendia o valor das revistas “masculinas” (essas que hoje andam em extinção), o que demostrava o supra-sumo do machismo da época, enquanto criticavam os nossos queridos gibis, sempre se arvorando do interesse em proteger a educação.

Não sabemos o quanto essa ignorância prejudicou o crescimento desse muito importante, aliás, importantíssimo, segmento editorial.  Mas a invasão nos cinemas e nas televisões das personagens até então estáticas e em papel, associado ao crescente e imparável fenômeno dos jogos eletrônicos e desenhos infantis, puseram por terra esse passado vergonhoso.

Sim, temos problemas, a presença de personagens estrangeiros em detrimento dos nacionais, incomodam, e o caminho do artista brasileiro, o quadrinista e seus derivados, é um calvário até ver-se firmado como profissão.  Mas não há de ser nada, a autopublicação (self-publishing) aliada às vaquinhas digitais, como os bons  Kickante e Catarse e alguns programas governamentais, andam promovendo coisa muito boa por aí, seja em papel, seja animado.

E nesse embalo é bom apontar a nova lei federal, que obriga as televisões a cabo a ter programação nacional em expressivo percentual na sua grade de transmissões.  O que vem provocando uma revolução no audiovisual brasileiro. Ao fim de um desenho animado devemos observar os letreiros, pois revelam quem está por trás de tanta coisa nova. E há que se aprender com isso.

E aqui vai uma dica para qualquer meio de comunicação, editora ou não: se a principal TV aberta do país praticamente abandonou as animações, o mesmo não ocorre na outra parte das comunicações brasileiras. Se os quadrinhos foram a primeira forma de comunicação escrita da humanidade – a exemplo das pinturas rupestres dos homens das cavernas –  ao não se apostar nessa fantástica forma de conhecimento, que é o desenho seriado com diálogos, está se abrindo mão da essência da comunicação humana e se apostando cegamente no passado.

Não podemos nos deixar tomar pelo preconceito, a era dos formadores de opinião ou das leituras massivas acabou. O que funciona, mais do que nunca, é a rede, e nos mais diversos sentidos e possibilidades; ali preconceito não tem vez, tampouco arrogância intelectual de alguns pedabobos. É preciso se fazer presente em todas as frentes e entender suas dinâmicas, e nada melhor do que os HQs, ou as histórias em quadrinhos, para se perceber o ritmo do hoje, nada melhor. E nuntém nada de elado nisso. 


18/01/2016

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  Paulo Tedesco

É escritor de ficção, cronista e ensaísta, atua como professor e desenvolvedor de cursos em produção editorial e consultoria em projetos editoriais, também como orientador em projetos de inovação em diferentes setores. Trabalhou nos EUA, onde viveu por cinco anos, nas áreas de comunicação impressa, indústria gráfica e propaganda. É autor dos livros Quem tem medo do Tio Sam? (Fumprocultura de Caxias do Sul, 2004); Contos da mais-valia & outras taxas (Dublinense, 2010) e Livros: um guia para autores (Buqui, 2015). Desenvolveu e ministra o curso de Processos Editorais na PUCRS e coordena o www.consultoreditorial.com.br atendendo autores e editores. Pode ser acompanhado pelo seu site, pelo Facebook ou pelo Twitter.

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