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Releitura Literária para crianças – parte 2
Cláudia de Villar

Ao trazer novamente esse tema, não queremos aqui ser repetitivos, mas sim lançar a questão para que possamos refletir sobre a contribuição ou não desse método ou viés de escrita. O que levaria um escritor a reescrever não apenas sobre o mesmo tema, pois isso é fato corriqueiro, pois os temas humanos são fontes de escrita a todos os mortais escritores, mas reescrever sob um novo olhar uma narrativa já contada? E, o que levaria uma criança ou jovem ler um livro que conta, por exemplo, a mesma história do Patinho Feio?

Para pensarmos sobre esse assunto, teremos que pensar o hoje e fazermos um paralelo do agora com o tipo de vida que esses nossos jovens ou crianças estão vivenciando no momento. Será que os escritores pensam sobre isso? O que nossos leitores mirins estão querendo ler? Será que a Cinderela de ontem não está mais dando conta das angústias do presente? Mas se os contos de fadas tratam de temas humanos universais, por que escrever, novamente, sobre a Cinderela, mesmo que seja sob outro ponto de vista? A primeira versão que chegou até as mãos desse leitor mirim não basta para dar conta de suas angústias e curiosidades sobre o seu mundo atual? Talvez sim, talvez, não. E é nesse espaço em que o “não”se cria que os escritores apostam suas ficham.

Não, não creiamos que sejam pessoas do bem, novos defensores do discurso de que devemos repensar a infância. Pois há muito lobos em pele de cordeiro. Se a obra Branca de Neve e os Sete anos sobreviveram até hoje, rendendo ($$$) e sendo divulgada, por que não reescrever a mesma narrativa sob um novo olhar? Obviamente, que nem tudo que nos causa dúvida ou estranheza poderá ter uma resposta do mal. Certamente, muitos ou alguns autores tiveram boas intenções ou produzir uma releitura de uma obra consagrada.

Em, A Pretinha de Neve e os Sete Gigantes, Rubem Filho, com esse título que nos remete à famosa narrativa infantil, é trazido o tema da discriminação racial, utilizando o Conto de Fadas que tem grande repercussão entre as crianças para tratar sobre racismo. Será que dá certo?

Os nomes dos anões são trocados, a história se passa em outro ambiente, mas se optarmos em não mostrar o título a uma criança e tendo ela já lido ou escutado o conto anterior, saberá perfeitamente de que essa narrativa “se parece com a outra”. O que podemos trabalhar ou desenvolver nesse leitor mirim a partir dessa constatação além da percepção infantil e o racismo? Talvez uma comparação? Análise entre o primeiro a ter sido lido e esse novo texto sob um novo formato. Fazermos um paralelo? Mas essa contribuição se daria de outra forma? Auxiliaria na formação do leitor literário?

Não queremos aqui trazer respostas prontas, mas levantar a questão da releitura de obras consagradas que fazem parte do mundo literário infantil e refletirmos sobre a sua contribuição na formação do leitor literário e do cidadão crítico.

Está lançada a bola para uma reflexão. O jogo do pensar começou.

Até quando ou onde podem os escritores na arte do escrever? Há limites para a produção escrita? Há critérios para a criação literária?


11/12/2015

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  Cláudia de Villar

Cláudia de Villar é professora, escritora e colunista. Formada em Letras pela FAPA/RS, especialista em Pedagogia Gestora e em Supervisão Escolar pelo IERGS/RS, também atua como colunista de site literário Homo Literatus e Jornal de Viamão do RS, além de ser pós-graduanda em Docência do Ensino Superior (IERGS/RS). Escreve para diversos públicos. Desde infantil até o público adulto. Passeia pela poesia e narrativas. Afinal, escrever faz parte de seu DNA.

claudiadevillar@yahoo.com.br
claudiadevillar.blogspot.com/
www.facebook.com/claudia.devillar


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