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Crítica Literária: opinião em cheque
Cláudia de Villar

A produção escrita, seja ela qual for a sua extensão, podendo ser um texto, recadinho, carta, TCC, crônica, redação ou um livro sofre, durante a sua criação, um processo interno de análise, revisões, releituras e, por fim, uma leitura final antes de sua publicação ou de seu desfecho.

Entretanto, uma das coisas que pesam durante uma produção textual é o outro. A análise do outro perante os seus escritos. Tanto para um aluno quanto para o mais famoso escritor que sabe que ao ser lido será analisado e, por fim, criticado, uma análise sempre terá o peso e a sombra de um desconforto psicológico. E uma análise nada mais é do que uma invasão, comparação. E uma comparação resulta numa crítica.

Mas as críticas machucam quando elas passam a ser “pitacos”. Eis que os “pitacos” acabam com a produção de um escritor. Ainda no início da produção de uma obra, o escritor já pensa no que irão falar do seu livro. Quando esse livro termina, há que se preocupar com os editores, em seguida com os leitores e, por fim, com os críticos literários.

Até que ponto o crítico literário não estará expressando o seu “gosto” ou preferência leitora? Até que ponto os conceitos, preconceitos e preferências não são expressas no momento da crítica de uma obra? Ou, até que ponto sua obra não será comparada com os grandes e universais clássicos literários? Aí é covardia. Sim, os grandes, famosos e imortais clássicos são e serão obras a serem elogiadas, mas termos que usar esses imortais como “régua” para análise das obras posteriores? Há chance de expressão genuína e livre de quaisquer pudores no momento da produção escrita quando o escritor sabe que será comparado a Machado de Assis, José de Alencar e Clarisse Lispector? Como e quando passou a ser regra de análise a comparação de gerações, realidades e pensamentos? Quantas vezes um escritor iniciante não ouviu de críticos ou escritores modernos renomados alguma referência comparativa de seu trabalho literário com obras já ditas como exemplares? Isso “broxa” qualquer escritor! Não tem como não perder o tesão literário quando se ouve: “Está legal, claro que falta muito para você ser um Jorge Amado.” E quem disse que queremos ser um Jorge Amado? Quem disse que queremos ser iguais a eles? Ou renomados imortais? Quem disse que queremos ser melhores? Apenas queremos ser escritores. Escritor é tão somente aquele que escreve. Que produz pensamentos e os coloca em papéis.

Por fim, há que se pensar nessa prisão, nessas correntes que ainda aprisionam as produções literárias atuais em réguas, tabelas, comparações entre o presente, o passado e o futuro. O sol nasceu para todos e as sombras para alguns. Por quê? Queremos o frescor dos ventos e a paz da produção textual. Uma vez que uma notinha no momento certo, numa oportunidade especial, uma crítica poderá acabar não apenas com a venda de um livro, ou com uma carreira de um escritor, mas com um sonho de uma pessoa, há que se repensar nas críticas literárias. O maior e principal crítico literário é o leitor. E leitura é subjetiva. O que agrada um, desagrada outros. Será que Machado de Assis agradou a todos? Não, as sombras também são para todos que buscarem uma árvore frondosa. E a árvore nasceu para todos, Machado de Assis, Monteiro Lobato, Cecília Meireles e o João do Pão (padeiro da esquina). Enquanto houver padrão, não haverá alforria literária!


24/06/2015

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  Cláudia de Villar

Cláudia de Villar é professora, escritora e colunista. Formada em Letras pela FAPA/RS, especialista em Pedagogia Gestora e em Supervisão Escolar pelo IERGS/RS, também atua como colunista de site literário Homo Literatus e Jornal de Viamão do RS, além de ser pós-graduanda em Docência do Ensino Superior (IERGS/RS). Escreve para diversos públicos. Desde infantil até o público adulto. Passeia pela poesia e narrativas. Afinal, escrever faz parte de seu DNA.

claudiadevillar@yahoo.com.br
claudiadevillar.blogspot.com/
www.facebook.com/claudia.devillar


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