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Leitura – a quem importa?
Jacira Fagundes

Não se faz leitura apenas no suporte livro impresso; ou livro físico, como é denominado o impresso depois do advento do digital.

Quando alardeamos que a escola prioriza a hora do conto e a leitura nas classes iniciais do ensino fundamental  e se desincumbe de dar  continuidade à formação do leitor nas classes posteriores e no ensino médio, podemos estar julgando a partir de dados insuficientes.

O ensino e a aprendizagem da leitura constituem ações a serem desencadeadas com  crianças e com  jovens, enquanto alunos. Porém, à medida que o aluno avança nos anos escolares, parece que o afastamento da leitura torna-se imperativo.  A sociedade, a atividade profissional, os meios de comunicação, as redes sociais que hoje imperam em todas as faixas, na maior ou menor medida, irão exigir do sujeito, autonomia em relação à leitura e interpretação de um texto, seja uma instrução, um relatório, uma ordem de serviço, uma lei ou uma bula de remédio. Sabemos que nem todos precisarão ou irão escrever com o rigor da escrita, mas ler será para a vida toda. Para todos, indistintamente.

Deste ponto de vista, podemos, sim, afirmar que a leitura vem se fazendo, dentro e fora da escola, em livros e em outros tantos materiais ditos físicos ou digitais.

Sempre caberá à escola a responsabilidade quanto à formação do leitor. A sociedade reconhece, mas há várias iniciativas apontando caminhos, diferentes da escola formal. Claro que a escola continua se importando com o ensino da leitura, sim, mas não de maneira ideal ou completa. Porque não consegue e tampouco lhe cabe, como em outros tempos, assumir sozinha. Entre tantos outros motivos, um se destaca essencialmente operante e indispensável no mundo atual – a abrangência da educação e da conquista do saber não pode se restringir, nos dias atuais, a um único setor, por melhor que atue. A escola é apenas uma das instituições que cumpre com o dever de ensinar, muitas vezes tentando complementar a educação nem sempre satisfatória que o aluno traz do lar. São novos tempos que implicam em novas oportunidades e mudanças.

Ladeando as notícias de violência urbana e de mau investimento nas coisas públicas ( uma infinidade de horrores, sabemos disso) apontadas pela  imprensa, as iniciativas no campo educacional ofertadas por setores antes distantes da educação formal, vem ganhando espaço, na tentativa de reforçar o papel da escola e diminuir a evasão escolar. E não apenas isso, mas especialmente, dotar a escola de maneira que esta  se apresente ao aluno como algo cativante e inspirador.

Iniciativas individuais e grupos interessados no avanço da leitura, como fonte inesgotável do conhecimento, ocupam hoje espaços públicos e arregimentam crianças, jovens e  ainda famílias inteiras em torno do ato de ler. Acontecem em locais acessíveis e com livros à disposição dos presentes. É um convite irrecusável à leitura. Livrarias, centros culturais, bibliotecas e similares também tem se mantido em alerta e assumindo papéis de propagadores do livro e da leitura.

Diferentes setores acordaram para a questão e resolveram se engajar na luta, ao propor ações educacionais inovadoras que apostam no conhecimento como propulsor de transformação. “Conhecimento Transforma”, “Festival Escolar de Cinema”, “Fronteiras do Pensamento”, para citar alguns exemplos, são programas que vem sendo desenvolvidos por instituições privadas em parceria com Universidades e Prefeituras.

Tais programas e projetos apontam para uma revolução no cotidiano escolar, na tentativa de que a escola se harmonize com os interesses que os jovens têm construído fora dela. Ao invés de afastar, reconhecem e estimulam o conhecimento tecnológico que o aluno detém, resultado de seu interesse e experiência. Não é o caso de substituir o livro, mas de expandir a leitura ao experimentar outros suportes na sala de aula. É na inclusão, e não no afastamento,  que o professor vai conduzir o jovem na  busca de formação e  informação através da leitura na variedade de mídias à disposição no ambiente virtual e não somente no livro físico na sala de aula ou na biblioteca.

Bem provável que se venha a obter dados mais tranquilizadores, quanto ao número de jovens  leitores, dentro e fora da escola.

 


09/05/2015

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  Jacira Fagundes

Jacira Fagundes é professora e escritora. A trajetória literária, encarada como ofício, teve começo em 2002, com a premiação do conto “Noite fria de vigília”, quando do lançamento do Prêmio Literário Nova Prova – 20 anos. Ficou entre os quinze autores selecionados e seu texto foi publicado em obra da Editora.

jamafag@terra.com.br
www.jacirafagundes.com


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