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Entrevista

“Há sempre espaço para o desejo de ser mais”
Bárbara Barros

Rubem Penz nasceu em Porto Alegre no ano de 1964 e pode-se dizer que Penz é vários em uma única pessoa. Nessa entrevista ele fala sobre seu lado multifacetado e sua relação com a música, literatura e outras tantas áreas que atua.

 

Rubem, você é escritor, publicitário, baterista, compositor, free lancer em criação publicitária, empresário e percussionista. Diante dessa hibridação de papeis, como você se definiria?

Há muita confluência nessa aparente multiplicação de papeis. Tudo nasce na música: desde criança pequena prestei muita atenção e, antes da adolescência, já me tornara percussionista. A bateria aconteceu em consequência, ampliando as possibilidades de estar no palco. A partir de então, veio a palavra escrita – primeiro nas letras de música, depois nos livros apresentados pelos professores de literatura e, a seguir, na criação publicitária e nas letras de músicas. Por fim, e talvez como costura de tudo isso, desabrochou a voz do cronista. Acredito que o fio condutor seja a criatividade.

Você é graduado em Educação Física. A partir de que momento começou sua relação com a literatura?

Minha relação com a literatura foi um tanto tardia, muito em consequência dos aparentes desvios na vida. O que não significa que tenha algum arrependimento: guardo ensinamentos preciosos dos tempos de ESEF/UFRGS. Estava perto dos trinta anos quando amadureci como leitor, algo primordial para quem pretenda escrever literatura. Antes disso, como redator, já exercia, por assim dizer, outra linguagem.

De que modo esse seu lado multifacetado influenciou na sua maneira de escrever?

De modo determinante. Para começar, basta atentar para o gênero escolhido: a crônica, texto híbrido por natureza. Nela, acomodo o professor, o músico, o compositor, o redator publicitário, enfim, unifico as possibilidades e multiplico as vozes.

Como você enxerga a literatura e os escritores atualmente? Qual a dica que daria para quem está começando ou pretende começar?

Não vejo grandes diferenças em termos amplos. Os escritores continuam obedecendo ao chamado íntimo de produzir, estudam e leem dos clássicos aos seus contemporâneos, reúnem-se por afinidade e competem na inevitável vaidade. Os conselhos são sempre os mesmos: leia, mas leia bem (aquilo que para mim veio tarde). Participe da vida cultural, tenha interesses variados e eleja seus mestres. Na hora de escrever, seja exigente consigo para poupar o trabalho dos críticos.

Você é músico. Como foi essa passagem da música para a literatura e por que a opção pelas crônicas e não pela poesia?

Toda palavra escrita carrega música dentro de si. Vejo também a composição em prosa submetida às mesmas necessidades estéticas da canção: ritmo, melodia, pausas, intenções, mensagem. Tudo muito complementar. Quanto à poesia, em um ciclo de debates com o escritor e compositor Sérgio Napp, descobri que quase nunca fiz: a maior parte de meus versos são regidos pela lógica da canção. Sou mais um letrista.

Muita se fala a respeito do fim das publicações impressas, principalmente dos jornais. Como escritor e colunista, qual é a sua opinião sobre esse assunto?

Parece estar no meio digital o destino dos suportes menos nobres como o jornal e a revista. Por um período ainda impossível de mensurar, caminharão juntos. Porém, quando as máquinas ficarem mais e mais acessíveis e os leitores nascidos durante essa revolução alcançarem a idade adulta, creio que a leitura de notícias (e anúncios, crônicas, resenhas etc.) no meio digital será dominante.Temo um pouco por ter visto as consequências da Era Digital na música: hoje, o compositor, cantor e músico ganha seu dinheiro apenas quando em apresentações ao vivo, num aparente retrocesso. Se o escritor for “pirateável” na mesma proporção, estará em desvantagem: não há em sua atividade o mesmo apelo de palco. Seu talento nasce no recolhimento da criação.

Ainda falta alguma coisa para o Rubem Penz ser?

Trabalho nas minhas oficinas literárias exatamente isso: o desenvolvimento de potencialidades. Há sempre espaço para o desejo de ser mais. Há sempre companhias e aprendizados para acrescentar coisas novas. Sou humilde o bastante para reconhecer-me pouco e inquieto o suficiente para não desistir de ser mais.


18/04/2013

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Comentários:

Scyla, Jacira, agradeço os comentários e fico feliz que tenham gostado da entrevista a ponto de dedicarem suas palavras. Nossa, muito feliz!
Abraços, Rubem
Rubem Penz, Porto Alegre 21/04/2013 - 20:23
Gosto da clareza com que o artista multifacetado passa ao leitor a imagem que faz de si e desses diversos caminhos que trilhou até agora. A última frase do texto é excelente, quase uma fotografia de sua personalidade e "afidabilidade" (se essa palavra existisse) de seu caráter.
SCYLA BERTOJA, Porto Alegre/RS 21/04/2013 - 18:02
Bela entrevista,Rubem. Fiquei sabendo um pouquinho mais do parceiro e cronista que vi(nascer?) na longínqua oficina. Saudades...
Jacira Fagundes, Porto Alegre/RS 19/04/2013 - 23:34

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