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Literatura

Telma peitou o sistema do livro-enlatado
Sidnei Schneider

O que a escritora e mestre em literatura Telma Scherer fez na Feira do Livro de Porto Alegre, através da denúncia da casinha de cachorro do escritor e da elegância das bolinhas de sabão da sua performance, foi apontar o dedo na testa dos lançadores de livros estrangeiros enlatados, que acabam por definir toda a cadeia produtiva do livro no Brasil, com reflexos nas feiras e bienais, nas editoras e livrarias, e na vida de todo escritor e leitor.

Ao dizer aos policiais e ao público que a truculenta ação daqueles estava “mandando as pessoas para casa ler Dan Brown”, sabia do que falava. Também, quando declarou nas entrevistas que o protesto não era “contra uma pessoa ou instituição”, mas “contra o sistema literário”, e “se o chapéu serviu em alguém” não podia fazer nada. Perdoem-me alguns amigos, mas o alcance desse protesto não pode ser reduzido ao espaço geográfico de uma praça ou cidade. Minimizá-lo assim é ainda nos deixar levar por um sentimento provinciano a ser superado.

Há cerca de um par de décadas, corporações globais com uma prática de arrasa quarteirão passaram a jogar pesado no mercado nacional, um dos maiores do mundo apesar do ainda reduzido hábito de leitura dos brasileiros. Setor altamente monopolizado, os doze maiores grupos editoriais do planeta, segundo pesquisa da consultoria Euromonitor, são responsáveis por 52% das vendas em 19 países de grande mercado, incluído o Brasil. Os quatro maiores (Bertelsmann, Thompson, Pearson e Vivendi), detém 36%. O monopólio francês Vivendi (Laboratório Roche, Nestlé, Água Perrier, Pure Life), controla aqui as editoras Ática e Scipione, desnacionalizando o setor do livro didático. A transnacional Santillana, espanhola como as editoras Planeta e Oceano, é dona da Moderna, também especializada em livros didáticos, e controla 75% da Objetiva. O grupo Record (editoras Record, Bertrand, Civilização Brasileira, José Olympio, Best Seller e Verus) seguidamente é sondado pelo capital estrangeiro, para o qual não existem barreiras legais, como no Canadá. Desde 2003, das dez maiores editoras locais, sete são estrangeiras. Editando uma enxurrada de publicações de baixa qualidade, esses grupos tem comprado o passe de escritores brasileiros importantes, mas nada garante que não os abandonem na primeira oportunidade.

Com campanhas milionárias de divulgação, fazem o seu produto, papel encadernado com textos pífios, aparecer nos grandes jornais, revistas semanais ou pseudoculturais, e programas de tevê. O até então desconhecido autor internacional será objeto de entrevistas e, se possível, comparecerá a feiras e bienais do livro. De maneira que até o único jornal de uma cidade pequena, impotente ante a avalanche, vai tomar espontaneamente esse livro como tema.

Essa ação, pensada globalmente desde fora do nosso país, acaba fazendo com que o distribuidor aposte mais nesses títulos (se já não for oligopolizado), a megastore os priorize nas suas geralmente péssimas revistas, grande parte dos livreiros (os guerreiros da cultura e do saber estão minguados, mas ainda existem) os coloque nas vitrines ou nas bancas de alguma feira. Ficando prejudicada a literatura brasileira e o que de bom poderia nos chegar de fora.

O leitor, de sua parte, compra um livro do qual pelo menos já ouviu falar. A inocência nos impede de pensar que o jabaculê corre solto para que o produto se afirme e comece a aparecer na lista dos mais vendidos da Veja. A mensagem da lista é clara: se todo mundo está comprando o livro deve ser bom, compre-o também. Assim, depois de algum tempo, o que era mera sugestão começa a se aproximar da realidade de vendas, mesmo que o leitor depois se frustre ou nem leia o livro, como demonstram pesquisas em outros países. No dia em que escrevo, sem entrar no mérito de cada obra, dos vinte livros de ficção mais vendidos, apenas quatro são de autores brasileiros.

A tiragem gigantesca dos livros enlatados barateia o custo gráfico-editorial unitário do produto para bem menos do que 10% do preço de capa, sem nenhum reflexo para o consumidor. Ao contrário, quanto mais dominam a área, mais livres se sentem para colocar o preço que quiserem, nunca transferindo a isenção de impostos a que o livro faz jus. Na verdade, encarecem o custo de produção e o preço final de todos os outros livros editados no país. Como? Vejamos: depois do furacão global de alto faturamento, sobra o quê para o “mercado”? Tentar colocar edições de mil a três mil exemplares em todo o país, sem nenhum carro chefe de vendas como uma vez o foram Jorge Amado e Erico Verisimo, e, mais recentemente, um ou outro como Cristóvão Tezza, ao conseguir emplacar uma edição (este pela Record, o maior grupo editorial de literatura do país). Em escala pequena, uma atividade muito mais trabalhosa, e o que é pior, em condições completamente injustas quanto à publicidade. Edições pequenas saem unitariamente mais caras, e para vendê-las, pagar as contas e obter um mínimo de retorno, também não são oferecidas por um valor menor. Além de tudo, muitas empresas quebram e são engolidas. O autor brasileiro, que recebe apenas 10% do preço do livro vendido, não raro é convidado a esperar ou a renegociar o pouco que lhe caberia. Quando não, a pagar à editora para ser publicado. O país perde com a menor circulação de idéias e da verdadeira arte literária.

O escritor, o poeta, aquele que trabalha três, cinco, dez anos para finalizar uma obra, mesmo tendo conquistado o apreço dos leitores e o seu espaço enquanto autor reconhecido, como é que fica? Ou vai trabalhar em outra área ou vai ficar sem condições de vida, semelhante ao que aconteceu a Telma. Exceções existem, mas dependem exageradamente da visibilidade do autor na mídia, quase sempre os que nela trabalham.

 

Assim, se você, depois de alguns anos tentando viver da escrita, perdeu a sua casa, os seus móveis, teve que enviar os livros para a casa dos pais no interior e, o pior do pior, ficou sem local de trabalho para, como no caso de Telma, terminar um romance, deve agradecer aos céus, e não ir para a Feira do Livro com uma performance artística que sensibilize o público. Esse é o recado de quem chamou a Brigada Militar.

A nota oficial da Câmara Rio-grandense do Livro, endossando a versão de que a Brigada Militar foi chamada por “mãe e filho cadeirante que não conseguiram prosseguir em um corredor do evento” não é das mais edificantes que essa instituição já emitiu. Os policiais talvez não tenham entendido o recado de Telma, mas seguramente ele não estava fora do alcance dos organizadores da Feira.

Melhor avaliar bem de que lado se está nesse jogo: do lado das corporações, submetendo-se a elas, e correndo o risco de mais tarde ser engolido, na medida em que cada vez mais compram empresas brasileiras em dificuldades, ou do lado dos escritores e produtores, da arte e da literatura, e da própria economia nacional. Em suma, da civilização ou do que leva à barbárie.

Não dá para fazer nada? Dá sim, a grande repercussão do caso e a solidariedade que Telma recebeu o demonstram. E o novo governo federal precisa tratar urgentemente da questão livro. Pode demorar um pouquinho resolver tudo isso, mas já nos livramos de coisas bem piores como sabe o leitor.


28/11/2010

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Comentários:

A atitude de Telma é corajosa e consciente, por isso devemos ter cuidado de não classificá - la como quixotesca, o quixotesco é algo romanesco, idealizado, fora da realidade e com objetivos inatingíveis. Não é o caso, porém cabe a nós posicionarmo - nos como força motriz do processo ,tal como fez Telma. Para mim, a reação ao protesto, exatamente pela sua truculência e descabimento traz um novo alento, se houvesse sido simplesmente ignorado aí realmente perderia as esperanças, mas não foi, incomodou. E tudo aquilo que incomoda é passível de ser modificado. O seu gesto também tem uma dimensão lírica, afinal ela "personificou" o que Pessoa diz na primeira quadra de Autopsicografia. Tomara possamos seguir nessa luta de forma lírica e apaixonada como Telma e com a lucidez e o comprometimento que sempre demonstras Sidnei. Grande abraço.
Maira Machado, Porto Alegre 25/11/2010 - 13:23
Estou com a Telma. Mando meu abraço e apoio.
Eu já furei este bloqueio, esta barreira, não publico nada impresso.
Só trabalho com e-book e vendo por e-mail. É pouco, mas é todo meu, não divido com editoras.
Passe meu e-mail para Telma, desejo conversar com ela.
Manoel Amaral, Divinópolis/MG 25/11/2010 - 11:08
Telma querida, foi duro demais assistir aquelas cenas. mas foste e es uma vencedora. Vencedora da verdade de todos os esritores esclusos deste nosso brasil
E parabéns Cid. Grata pelos esclarecimentos
Gerci Oliveira Godoy, Porto Alegre RS 24/11/2010 - 22:27
Raramente temos a oportunidade de ler um manifesto com a coerência e pertinência que Sidnei Schneider imprimiu neste texto. A literatura brasileira é refém do poder econômico e quem se dedica a ela, o faz por paixão, pois raros são os que podem viver das rendas pífias que ela produz.
Eni Allgayer, Sapucaia do Sul-RS 24/11/2010 - 21:58
Além dos limites da indignação de todos nós contra esse arbítrio, teu texto avança para uma verdadeira reportagem - muito informativa - que dificilmente sairia na grande mídia.
Parabéns, irmão.
José Antônio Silva, Porto Alegre / RS 24/11/2010 - 16:20
Qualquer tipo de censura é deplorável, e a atitude repressora ao protesto da poetisa Telma Scherer foi, sem dúvida, lamentável e poderia ter recebido outro tratamento.

Mas confesso que me sinto dividido com o episódio. Vejo muita gente protestando e poucas sugestões de alternativa para o problema. Se todos os que se manifestaram a favor de Telma agissem dentro de suas possibilidades para reverter o problema, talvez tivéssemos um caminho. Quantos de nós de fato apóiam o pequeno editor e os escritores que ali encontram caminho para a publicação? Muitas vezes fui prestigiar amigos escritores e encontrei eventos esvaziados, quase que apenas um encontro familiar, pela dificuldade que é, por vezes, encontrar espaço na mídia para divulgar os livros, esquecidos que somos de alguns jornalistas que levantam a voz para defender Telma mas não abrem espaço para novos talentos.

Gostei muito do texto, Sid, sobretudo pela tua lucidez em identificar as razões pelas quais o leitor acaba alimentando esse mecanismo perverso das grandes editoras multinacionais: se o leitor não ouve falar de livros e autores publicados pelas editoras fora desse circuito de gigantes, por que ele se interessará em comprar e ler aquilo? O leitor vai sempre atrás do que lhe recomendam como bom, do livro que na capa traz escrito uma venda de mais de meio milhão de cópias, por isso lhe indica uma "garantia" de boa leitura.
Robertson Frizero, Porto Alegre/RS 24/11/2010 - 15:39
Muito legal a repercussão do texto, Sidnei.
Marcelo Spalding, POA 24/11/2010 - 15:32
Eu sou interiorano. Nunca fui muito de metrópoles, megalópoles ou cidades maiores que a minha. Mas a verdade é que lá reina a diversidade, em todos os sentidos possíveis da palavra. Neste caso, a cultural. Nesse sentido sinto em ser um interiorano. Mas quando as palavras bem postas e cheias de uma verdade que desconhecemos nos atinge, é ai que crescemos juntos. Minha solidariedade a Telma (de quem nada sei, posto que não a conheço), que se extende a todos os guerreiros nacionais. Um movimento nesse sentido, expansivo e criativo deve ser levado a cabo. Não existe o poder paralelo exercido pelo narcotráfico? Então, vamos criar o poder paralelo cultural, para que os ïnterioranos" feito eu saibam mais e possam opinar com propriedade. Grande abraço a todos os lutadores do nosso amado Brasil.
Marcos de Andrade, Passo Fundo/RS 24/11/2010 - 11:47
Oi Sid!
No mundo negro a que pertenço, cujo espectro social e cultural não é considerado pelo mundo oficial, o refinamento literário, em que pese nossa profusão de poetas, só pode ser bebedeira ou presunção e a combinação delas nos destrói. Com nossas produções escondidas dos próprios parentes, dizia-se na década de 30 e 40, “futuramente”, faremos o grande “boom”, da arte escrita porque livres de qualquer poda, criamos com toda a liberdade do espaço que houver em nossas gavetas, sem esperanças de um dia viver “disto”. Felizes os poetas moradores desta casa dos irmãos que podem sonhar e lutar pelo reconhecimento agora e já, mesmo que sejam confundidos com negros baderneiros para serem atendidos pela Polícia ao insistirem na construção da cultura nacional. Fico feliz em saber que mais gente se aperceba dos desperdícios do Brasil e, tambem,quase orgulhoso ao ouvir gritos como o desta moça-irmã, Telma Scherer, combinados com orientações como a tua ao radiografar o problema e induzir à ação além da simples repercussão. Se me permites sonhar, quem sabe esteja aí a esperança de menos irmãos, no futuro, tropeçando nas letras do desespero.
Saudações.
José Alberto.
José Alberto Silva, Porto Alegre/RS 23/11/2010 - 02:47
Ótimo texto, Sidnei, que expressa com muita propriedade e clareza a indignação dolorosa que muitos de nós sentimos com esse episódio. Cumprimentos pela análise corajosa! E parabéns a Telma pela coragem de se expor de peito aberto para protestar e provocar reflexão.
Abraços, Letícia Möller.
Letícia Möller, Porto Alegre 22/11/2010 - 15:56
SIDNEI,
parabéns pela fundamentação lúcida e corajosa desta crítica. Como as outras, é bem vinda e em boa hora com a exata dose de indignação, em relação ao mundo editorial.
Se o público-leitor brasileiro fosse realmente pequeno, as editoras de fora não investiriam da maneira como fazem.
A quem interessa afirmar que há poucos leitores?
Helena Carolina, Porto Alegre,22/11/2010
HELENA CAROLINA, Porto Alegre/RS 22/11/2010 - 02:19
Mesmo caso, irmão, se dará com os livros eletrônicos, não? Devemos estar atentos, gente: para quem pensa que o "suporte" não altera o conteúdo, é bom levar em conta que SEMPRE a forma atinge o que escrevemos. A forma de venda, de escolha, de exposição inclusive. Parabéns Sidnei e Telma. Sigamos nos lendo.
Altair Martins, Porto Alegre/RS 22/11/2010 - 00:18
Sidnei, mano, você me lava a alma. Estava querendo escrever algo sobre esse absurdo, mas meu texto resultava sempre algo irado e eu ia deletando os parágrafos. Sigo o conselho de Machado de Assis e prefiro sempre não escrever quando estiver puto. E, cara, isso foi de doer.
Você consegue ser lúcido e contundente. Acho que esse marca o fim de uma era e, que bom, o início de novos desafios para quem pensa a literatura, a poesia, com sangue na veia, como é o caso de Telma. Ano passado publiquei um texto aqui no AG e no meu blog, sobre a Feira. Eu mesmo admito alguns equívocos da minha análise, mas não resta dúvidas que as coisas estavam caminhando para além das calçadas da Praça. Um grande abraço! Lau
Lau Siqueira, João Pessoa-PB 21/11/2010 - 19:54
Sidney, não repetirei os comentários. Agradeço, sim, a oportunidade de ler seu artigo e compartilhar das reflexões acerca das feiras de livros em todo o país e do tal "mundo" literário, confundido não com as questões dos meios de produção, divulgação e comercialização, mas com uma rede de intrigas e fofocas estéreis. É preciso repensar eventos que ignoram o valor simbólico do livro e desprezam a contribuíção dos escritores para além das estantes dos supermercados. É preciso promover um debate mais amplo do que deve ser achamado de evento "cultural".
Lima Trindade, Salvador, BA 21/11/2010 - 17:47
Lastimo por sentir com a querida Telma Scherer, a nossa pequenez frente à força, a nossa fragilidade e a nossa solidão. Disse Ignacio Loyola Brandão:"Escreve-se para não estarmos sozinhos e por amor aos outros. Se você não tiver essa solidariedade, é bobagem escrever." Mas o leitor sabe disso? Da necessidade de se amar as palavras para ser escritor, da necessidade da empatia para criar personagens, da necessidade quixotesca de abrir espaço para editar?
São nos pequenos atos que vemos a coragem que muitas vezes falta a tantos "nós". Parabéns, Telma. Há quanto tempo não vejo indignação, há quanto tempo estamos acomodados? Calar a voz de quem cuida da palavra como tu? Que poderosa és! Ainda existe esperança!
O que me alegra é perceber o quanto ainda existe de temeroso na palavra de um escritor comprometido com a vida.
Parabéns, Sidnei, brilhante texto, esclarecedor e apontador de caminhos aos comprometidos com a literatura.
Obrigada por poder olhar o coletivo e a mim mesma, e perceber no texto de Sidnei, no ato de Telma, no ato de quem filmou e postou no Youtube, a capacidade de questionar e abrir "picadas", assim como nossos imigrantes fizeram.
A imagem que tenho é que a floresta é densa mas a união de muitos é que faz acontecer.
Cuidadores da palavra, uni-vos!
Marilice Costi, Porto Alegre/RS 21/11/2010 - 14:23
Sidnei,
O texto magistralmente mistura desabafo, indignação e sobretudo muita informação a respeito do mundo editorial.
Fiquei chocado quando recebi o vídeo agressivo contra a Telma. Prender alguém por perturbar a ordem. Que ordem? Quem deu a ordem, ordem de quê, pra quem? Sim, para tomarem as pílulas da felicidade não literária e dormirem amortecidos, apassionados quem sabe.
Bruno Brum Paiva - Porto Alegre/RS
Bruno Brum Paiva, Porto Alegre/RS 21/11/2010 - 00:23
Baita artigo! Não li comentário algum, de modo que se eu for redundante...
Deixa eu escrever uma coisa: Participei de um Concurso de Poesia ao Vídeo, o FLIPORTO 2010 e percebi que nas quatro edições, dos três primeiro lugares, ao menos oito são pernambucanos! Oito em doze...
Aqui na minha cidade eu participei do OFF-FLIP 2010. Bom, eu arrisquei apenas como escritor local e o que eu vi? Ganhei, mas os outros textos eram ridículos! Tá, não se chama arte assim. Cara! O bque estou querendo dizer é que além do "bairrismo" exagerado não temos a menor ideia do que as grandes Editoras querem publicar!
Mas de alguma forma a culpa está nos escritores que ficam publicando nessas Antologias sem sal, que objetivam apenas o lucro e publicam qualquer coisa desde que paguem!
De vez em quando eu recebo esses convites "publique conosco, não venda nada e sinta-se um escritor feliz"! Óbvio que o texto não é esse, mas é o que dizem os "contratos" oferecidos!
Poissó de raiva, desde quedeixei o colegial não leio nada estrangeiro. Na Faculdade só li material teológico mesmo... Qual a diferença? Não sei. Sei que eu não leio essa gente lá de fora. Prefiro ler bula de remédio.
Ronaldo Rhusso, Parati/RJ (é com "i" mesmo e n 20/11/2010 - 19:59
Deve-se recomendar aos artistas contemporâneos que não se associem tão facilmente aos imperativos editorias que ora trabalham contra a livre expressão de sua obra. O artista não pode ser refém.
Abraços.
Cassio Pantaleoni, Porto Alegre/RS 20/11/2010 - 17:59
Eu proponho que a Feira do Livro mude o nome para Feira das Editoras e Livreiros. E que as vendas sejam online, sem público na praça, para não incomodar ninguém. E que a Câmara do Livro cobre ingresso para ter acesso à praça pública, para espantar esse pessoal sem dinheiro nem pra pagar as contas. A Câmara do Livro e os livreiros querem fazer uma "seleção natural": o mais forte sobrevive. Parabéns pelo texto.
Carlos Scomazzon, Porto Alegre-RS 20/11/2010 - 13:32
Oi Sidnei.
As palavras não têm pertencimento.São enquanto de alguém que as escreve ou fala.Apresentam a voz do outro, no sentido que...sempre estamos na praça.
É muito bom contarmos com este espaço de discussão,de troca de idéias a respeito desta falsa literatura que parece encarcerar a letra como se pudesse ser deste ou daquele, como se não fosse de todos.O poeta ou escritor está...onde há palavras a serem ditas,lidas,escritas,expressas.O texto deve estar na rua, com toda a sua denúncia, seu corpo e sua voz.
Agradeço, Sidnei,pela inicitaiva.
beijo
Adriana Bandeira
Adriana Bandeira, Montenegro 20/11/2010 - 13:17
primaveril
(pessoas e roupas)
clima viril
(livreiros neuróticos)
enquanto as árvores
lacrimejam pequenas flores
na praça, cheia de livros
pessoas e cores.

Zé Weis (4/11/80)
Ah, eu já sabia!
José Weis, Porto Alegre/RS 20/11/2010 - 12:08
Brilhante, Sidnei!
De fato, há algum tempo boa literatura tem sido sinônimo de vendas. Pior que esta ideia é patrocinada por muita gente boa, que se deixa "arrastar pelo sistema".
Fiquei muito satisfeita com a escolha do Schlee como Fato Literário, justamente por este motivo: ele não faz parte deste jogo. O jogo dele é literário mesmo.
Minha solidariedade integral à Telma.
Saudações cordiais, Márcia Ivana
Márcia Ivana de Lima e Silva, Viamão, RS 20/11/2010 - 12:02
Sidnei, isso que fizeram com a Telma é um absurdo!!
Mas não me admira, eu mesmo já tive esta experiência desagradável, fui expulso três anos consecutivos da Feira do Livro de Porto Alegre por tentar vender meus textos e livros de forma independente nos barzinhos do entorno da feira! E olha que eu nem estava circulando dentro da feira.
A política da Câmara Rio Grandense do Livro não é bem a do livro mas dos interesses dos livreiros, distribuidores e editores de rapina.
Uma pena o potencial desperdiçado e especulado!
No momento estou em tourne e o que posso fazer é dar meu apoio divulgando o problema da Telma e também teu texto - texto esse que agora são as cores da nossa bandeira. Um abraço fraterno,
Pedro Marodin
Pedro Marodin, Brasília/DF 19/11/2010 - 23:02
Sidnei, a LUCIDEZ é cada vez mais rara, necessária e sempre libertadora. Parabéns pelo texto, que expressa, com argumentos, números e alma, a nossa indignação. Mil vezes parabéns à Telma, que não conheço e muito já admiro, pela coragem de se expor assim, rosa desabrochada a desafiar o coro dos contentes. Estas expressões de indignação verdadeira contra a ganância brutal que nos destrói diariamente são um exemplo e um alento para todos.
Thaís Cornely, porto alegre/ RS 19/11/2010 - 20:07
Lindo texto, e lindo gesto! Parabéns! É hora de ajudarmos a veicular, além (bem além) da denúncia do ocorrido, o e teor e o propósito da ação da Telma, que afinal é o que conta!
Lorenzo Ribas, POA -RS 19/11/2010 - 19:31
ATENÇÃO!
Estou voltando aqui para alertar a quem for opinar que o sistema está com problemas. Nos induz a remeter de novo a mensagem informando que "está fora do ar" e - pelo que comprovei agora - remete-a e publica tantas vezes quantas
nós clicarmos.Por isso aparecem mais de uma intervenção idêntica de mais de um de nós.
É isto.
Barreto
Barreto, Porto Alegre 19/11/2010 - 19:01
Amigo Sidnei,
Como já deves ser sabedor (inclusive pelo emaile que te remeti há pouco) estive lá no antro dos meganhas com a Cris Macedo, o Viola e mais um grupo de amigas da Telma levando apoio e fazendo exigências de liberdade imediata da Telma. Funcionou. Mas, também como já sabes, entendo o gesto - e os demais desdobramentos por parte de ações da Telma - tímidos para enfrentar este monstro de tentáculos múltiplos e poderosos. Propus à Telma uma Ação de Protesto séria, organizada e em várias etapas, a qual formatei - como agora já deves ter em mãos -, sujeita a todas e total modificação. Serve apenas como uma proposta concreta (não odara e oba, oba, como insisto)para que se possa pensar, discutir, deliberar e AGIR.(É óbvio, como está dito no emaile que encaminhou a Proposta que fiz a ela, dela depende o ponta-pé inicial; senão, não faz sentido.)
Quanto à tua posição aqui expressa, com louvável fundamentação e clareza, assino embaixo e te FELICITO.
Grande abraço,
Barreto
Barreto Poeta, Porto Alegre 19/11/2010 - 18:55
Assisti a cena pela tevê, estava na fronteira do estado a trabalho. Sou mais a Telma sempre, já vi este filme da ação da CRL e da mídia boba alegre.
Zé Weis
José Weis, Porto Alegre/RS 19/11/2010 - 18:54
Sidnei, meu amigo e parceiro. Teu texto é: além de esclarecedor, "comprobatório" dos achaques que sofremos cá nesse mundo terceiro. Há alguns anos venho solitariamente tentando fazer campanha contra a imoral, desavergonhada política governamental no tocante à legislação que regulamenta e fiscaliza (ora fiscaliza, isso no Brasil é piada)o uso fruto por parte de qualquer cidadão das obras que, após 70 anos completos, por lei ingressam na categoria de "domínio público". Durante esses anos observei que várias megastores da vida, ou da morte, como queiras, simplesmente reeditam obras com mais de 70 anos e não dão satisfação a ninguém. Tampouco vendem os exemplares a preço acessível como seria de se esperar. Bueno! A salvação da lavoura tem chegado a mim pelo google. Antes de estar morando no Rio de Janeiro onde me valho da Biblioteca Nacional, pesquisei online via google books raros livros que são digitalizados e disponibilizados sem custo algum na internet por conscienciosas instituições de ensino tais como Harvard School, UCLA, Oxford, etc. Se não fosse por elas não teria acesso às obras raras escritas por brasileiros...
O episódio triste, lamentável e absurdo que ocorreu contra a poeta Telma Scherer não pode passar em branco. Ele reflete uma política de estado anti democrático, truculento, e, "pelego" dos cartéis internacionais. Não podemos silenciar nem jamais anuir com a forma pela qual Telma foi tratada enquanto se manifestava pacificamente - o que é direito seu, garantido na constituição do Brasil que se diz um "estado legítimo de direito"... Sinceramente? Tenho cá minhas dúvidas. Um abração.
Alexandre Florez, Rio de Janeiro - Brasil 19/11/2010 - 18:51
Grande Sidnei,
certamente neste embate temos que ficar todos ao lado da Telma. Fiquei sabendo tardiamente do ocorrido e das mobilizações e, claro, fiquei abismado! Para além de todas as informações que teu texto traz pertinente e competentemente, não podemos jamais aceitar a cena da polícia impedindo qualquer manifestação artística. Foi um absurdo! Espero que a classe não caia no ritmo voraz e leviano da mídia e faça mesmo repercurtir por muito tempo este lamentável ocorrido.
Guto Leite, Porto Alegre/RS 19/11/2010 - 18:22
Sidnei, parabéns por, mais uma vez, expressares de forma tão corajosa e bem fundamentada tua solidariedade.
Grande abraço,
Laís
Laís Chaffe, Porto Alegre 19/11/2010 - 16:33
Prezado Sid.
Acho extremamente oportuno e esclarecedor teu texto. Dá subsídios para compreender melhor o episódio com a Telma. O AG tem sido um espaço super pertinente para esboço de idéias e aprofundamento de reflexões sobre questões que perpassam a vida-cena cultural de nossa cidade e país, a exemplo este ocorrido. Certamente, não devemos desconsiderar que a palavra 'cultura' quando institucionalizada também pode apropriar-se de nossas escolhas. Att, Felipe Azevedo
Felipe Azevedo, Porto Alegre 19/11/2010 - 14:59

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  Sidnei Schneider

SIDNEI SCHNEIDER é poeta, contista e tradutor. Publicou os livros de poesia Quichiligangues (Dahmer, 2008), Plano de Navegação (Dahmer, 1999), a tradução Versos Singelos-José Martí (SBS, 1997) e o volume de contos Andorinhas e outros enganos (Dahmer, 2012). Participa de Poesia Sempre (Biblioteca Nacional, Rio de Janeiro, 2001), Antologia do Sul (Assembleia Legislativa, Porto Alegre, 2001), Moradas de Orfeu (Letras Contemporâneas, Florianópolis, 2011) e de mais de uma dezena de antologias. 1º lugar em poesia no Concurso Talentos, UFSM (1995), 1º lugar no Concurso de Contos Caio Fernando Abreu, UFRGS (2003) e outras premiações. Membro da Associação Gaúcha de Escritores.

sidneischneider@gmail.com


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