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Teatro

Os homens de perto
Isabel Bonorino

Três atores entram em cena para tentar levar adiante um espetáculo fadado ao fracasso. Eles não têm talento, não são bonitos, não são famosos, não têm o mínimo de charme ou glamour. Além disso, o quarto homem que deveria estar em cena morreu. Eles são colegas, voltaram do velório e sofrem, mas mesmo assim decidem que o melhor a fazer é continuar seu estúpido show.

Assim começa a peça “Homens de Perto”, dessa vez apresentada no palco do Teatro Padre Werner, em março, durante a Calourada 2009, a recepção aos alunos da Unisinos. Já no início do espetáculo, o público de mais de 700 pessoas, que trocou dois quilos de alimentos não perecíveis por um ingresso, sentiu o que vinha pela frente. “Vocês podem pedir o alimento de volta se não gostarem da peça”, avisava o cômico Beretta. Juntamente com Oscar Simch e Zé Victor Castiel eles interpretam algo que poderia ser uma caricatura de si mesmos na peça escrita pelo ator e diretor Artur José Pinto.

Objetividade masculina

Com a verdadeira avalanche de peças que orbitam pelo universo feminino, “Homens de Perto” parece ser mais do que uma sátira a talvez duvidosa criatividade dos grupos de teatro gaúcho. O filão do mundo feminino, por vezes até estereotipado, foi o responsável pela grande quantidade de roteiros que entraram em cartaz nos últimos anos nos nossos palcos. A boa aceitação do público levou muitas peças com a mesma temática aos teatros.

O que se vê na peça dirigida por Néstor Monastério pode ser encarado como uma alfinetada de um talentoso grupo teatral, que aproveita sua habilidade em fazer comédia para debochar de si mesmo e da própria classe artística. Afinal, para que contar uma história inteira, cheia de blablablá se o objetivo é apenas fazer rir? Nada melhor do que a objetividade masculina para ir direto ao ponto e contar logo a piada que vai gerar o riso, sem precisar de conexões para isso.

Esquetes sabor infância

Na peça, que poderia muito bem ser classificada como uma série de esquetes, o que se vê é justamente o abuso de recursos usados exaustivamente em nossos palcos. A diferença é que “Homens de perto” não tem a preocupação em contextualizar as piadas com o roteiro. Mesmo porquê, as personagens são atores que ganham a vida fazendo aquele tipo de peça e ponto. Seja com anedotas velhas no estilo “Morreu como um passarinho..” ou tiradas mais atuais como “Vou fazer uma loucura, vou fazer um concurso público!” o trio faz qualquer um rir.

O engraçado e inusitado da peça é ver comediantes já consagrados pelo público e pela crítica usarem diálogos no melhor e mais batido modelo de “Os Trapalhões”. Seja no quartel como oficial e recrutas, ou na hora do `discriminado` Beretta mostrar seu talento musical, vê-se nitidamente a intenção escancarada nas caras e bocas dos três atores: apenas fazer rir. Impagáveis estavam Simch e Castiel, que beiravam o natural e já induziam o público das primeiras filas às gargalhadas num simples piscar de olhos.

Beretta bem de perto

A surpresa também vem do show de improvisação, que por vezes chega a, talvez premeditadamente, saturar o público. Um bom exemplo é quando Beretta vai para a plateia e começa seu stand up. Interagindo com o público, o ator mostra os vários tipos de chato existentes e consegue convencer no papel a que se propõe. Ele monta uma festa surpresa para uma pessoa da plateia, enquanto apelida outras tantas com quem resolve conversar. Faz todos participarem da`hola` e cantarem do “parabéns a você” até o constrangedor “Com quem será que o fulano vai casar.” Sem limites e com tanto improviso dos atores, o espetáculo dura cerca de uma hora e quarenta e cinco minutos. E ninguém reclama, afinal se for para rir, o tempo passa rapidamente, sem ninguém se dar conta.

E nada de passar mensagens no meio da peça ou dar o recado no final. “Homens de perto” não tem moral da história. Tem começo e fim, o meio é o riso descompromissado com uma amostra de formatos possíveis dentro da dramaturgia. São apenas profissionais fazendo o melhor trabalho possível, aquele em que atingem seu objetivo e ainda ganham para se divertir. Quer coisa melhor?


09/04/2009

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Comentários:

Parabéns pela crítica. Maravilhosa ! Uma verdadeira reflexão, sobre nosso teatro e as comédias, que tem grande público, mas que alguns relutam em aceitar.
Reissoli Moreira, Porto Alegre 30/08/2009 - 00:23
adoramos seus shows são muitos irados valeu meu
brenda caroline, nova hartz rs 18/08/2009 - 09:20

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  Isabel Bonorino

Isabel Bonorino é jornalista, radialista e relações públicas. Musicista, dedicou-se ao canto lírico de 1995 a 2005, atuando como soprano nos corais da Ospa e PUC. Foi colaboradora da Revista Literária Blau e produtora/apresentadora na Rádio da Universidade, onde criou o programa "UFRGS em Canto". Atualmente é produtora e repórter da TV Assembléia.

isabel@artistasgauchos.com.br
twitter.com/ISAbonorino


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