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Os trinta anos do Centro Municipal de Cultura
Eleuza de Morais

Neste mês assistimos a festa de aniversário do Centro Municipal de Cultura Arte e Lazer Lupicínio Rodrigues, onde estavam muitas e muitas pessoas. Tentei encontrar alguns colegas de anos atrás, mas não vi ninguém daquele tempo. Compareceram muitas autoridades, entre elas o prefeito Fogaça. Houve alguns discursos, bem coloquiais, interessantes, rápidos, o que facilitou para quem dava ouvidos.

Tive a graça de ser aluna de artes plásticas do Atelier Livre. Naquela época para ingressar no Atelier tinha que fazer uma prova escrita. As perguntas quando eu fiz esta prova eram bem incisivas, procurava se captar com elas o interesse da pessoa em estudar arte mesmo. Muitas pessoas se inscreviam, quando fiz tinha 600 e poucos inscritos.

Em 1986, certo amigo, que foi quem me levou, digamos assim, a fazer o teste, desenhou uma faca, uma cebola descascada em cima de uma tábua de carne. Estava perfeita, vi quando levantei para sair. Mas ele não passou e ficou bastante frustrado.

Eu fiz apenas uma rosa, bem simples, com poucos traços. E logo comecei a aventura de entrar na oficina inicial do Atelier Livre de Porto Alegre.

No primeiro ano era obrigatório fazer de tudo um pouco: desenho, cerâmica, pintura, xilogravura, etc. No fim dos dois semestres se escolhia que oficina cursar no ano seguinte. Havia pessoas importantes naquela época no Atelier. Seguido a gente via Iberê Camargo tomando cafezinho no bar, falava com todos. Outro, que vinha bem seguido, era Clébio Sória. Ele tinha uma mania de falar “pois pois” em todas as frases. Era bem humorado e gentil. Para quem não sabe quem é, explico: ele que pintou aqueles gaúchos lindos perto do mercado público.

Certa vez ele me pediu para trocar um trabalho comigo. Fiquei muito feliz e surpresa, já que eu estava iniciando e ele era já famoso. Claro que aceitei e ele me deu uma gravura linda com dois homens e uma menina a cavalo, com direito à dedicatória no canto.

Que época feliz de minha vida! A Livraria Ilhota naquela época aceitava trabalhos de alunos para vender. Coloquei uma pintura sobre papel, com motivo de flores, dessas que crescem na água, e vendi bem rapidinho. Foi uma emoção saber que alguém valorizou tanto meu trabalho a ponto de ficar com ele! Isso, foi um incentivo grande, então pintei uma tela. Ela era cheia de máscaras, umas tristes, outras sorrindo, bem coloridas. O título foi “Brasil”. Qual minha surpresa, na semana seguinte ela também foi vendida para uma senhora que trabalhava na biblioteca.

Fiz bons amigos no Atelier. Alguns vejo até hoje. O mais ilustre é o professor de litogravura Danúbio Gonçalves. Que aulas boas eram nesta oficina. Todos bem concentrados desenhando naquelas pedras brancas, pesadas, lindas. Saíam trabalhos maravilhosos, e o Danúbio ali acompanhando sem interferir na criação. Tinha o senhor da prensa, Nelcindo e o filho dele, muito educado. Um clima harmônico, legal da gente produzir.

Bem, a gente não pode ficar para sempre no Atelier, tem que dar lugar para outras pessoas. Mas até hoje passar ali dá uma sensação agradável.

Só quero dizer que fui à festa dos trinta anos do Atelier, isso foi muito bom. Tomei uma taça de champanhe bem gelada e brindei com minha filha a alegria que é saber que o Atelier ainda existe e está cumprindo seu papel de adubar os talentos. Espero que para sempre ele continue sendo Livre e que cada artista consiga expressar a arte de forma completamente pessoal, sem ter uma “fôrma da moda” para cumprir. Porque o melhor do Atelier era ele fazer jus a esse nome e isso não pode se perder. Obrigada a todas as pessoas que fazem isso ser possível. As pessoas de hoje e de ontem. Muito obrigada.


26/12/2008

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