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Teatro

"Bailei é uma peça sobre o futuro de um país e não sobre o passado"
Marcelo Spalding


Júlio Conte, dramaturgo e diretor em plena atividade, conversa com a equipe do portal sobre os 25 anos de “Bailei na Curva” e o atual momento do teatro gaúcho.

Júlio, a que atribuis o grande sucesso de Bailei na Curva, há 25 anos em cartaz? Os novos atores disseram que tua direção é fundamental, mas há outras montagens no país que não têm tua direção, certo?

A história é muito bem contada e representa um momento ímpar da vida brasileira. O grande lance da peça é que os narradores - personagens que levam a história - começam como crianças e por isso têm toda a liberdade para observar o mundo adulto. Além do mais, a dramaturgia é tão vigorosa que se tornou um clássico por poder ser montada em qualquer lugar e em qualquer tempo, pois contempla uma série de universalidades. Destino bem diverso de tantas histórias coletivas que se encerravam nas próprias montagens. Bailei é uma peça sobre o futuro de um país e não sobre o passado.

Houve mudanças na peça ao longo dos anos?

A peça estreou em 83 e pela própria característica de criação, sempre teve cenas e textos novos se produzindo. Além do mais ficou como marco na luta pela democratização. E também, o Tancredo não tinha morrido - aconteceu em 85 - aproveitei alguns escândalos para seguir coerente dentro de uma luta pela liberdade e justiça. Não sou saudosista e acho a peça hoje muito melhor do que em 83. Há poucos dias assisti a um vídeo de 94 e confirmou a minha impressão.

Tem como comparar com a repercussão e o sucesso de hoje?

Fizemos uma temporada no Theatro São Pedro e a lotação estava esgostada no mesmo dia que abriram as bilheterias. Fiz uma pesquisa e 80% do público estava vendo a peça pela primeira vez. Tem pessoas que me encontram e juram que viram a primeira montagem e me falam de atores que não trabalharam na primeira montagem. Mais uma coisa que acho incrível, tem gente que pergunta como é que atores que não viveram o golpe militar podiam interpretar a peça. Eu respondo que tem gente que não nasceu não nasceu na Grácia no século V a.C. e mesmo assim pode - e deve - fazer Édipo Rei.

Para terminar, como vês o cenário do teatro gaúcho?

Mal. Os teatros caindo, os governos preocupados somente com repercussão de mídia e a renúncia fiscal foi um projeto que não deu certo. Ou melhor, deu certo para arrancar dinheiro público, deu certo para a sonegação das grandes empresas e para lavagem de dinheiro. Sem contar que o os estados e municípios podem lavar as mãos e deixar o projeto cultural na mão de picaretas da cultura. Nem vou falar dos administradores culturais que se eternizaram em cargos públicos e se tornaram burrocratas(com dois erres mesmo!).


Alguns depoimentos sobre Bailei na Curva publicados em outras matérias do portal:

“Júlio Conte teve a sabedoria de mergulhar no universo adolescente e dele captar a linguagem, os interesses e as ansiedades. "Bailei na Curva" vem ao encontro desse público e o satisfaz na medida em que lhe diz algo que lhe interessa ouvir.” Ivo Bender

“Júlio Conte teve a sabedoria de mergulhar no universo adolescente e dele captar a linguagem, os interesses e as ansiedades. "Bailei na Curva" vem ao encontro desse público e o satisfaz na medida em que lhe diz algo que lhe interessa ouvir.” Ivo Bender

Bailei na Curva é um fenômeno único na história do teatro gaúcho, em cartaz há quase 25 anos. Gerações de gaúchos riram e se emocionaram com este espetáculo, bem como os atores que tiveram o privilégio de participar desta história. Participei de Bailei durante o ano de 1985, junto com a maior parte do elenco original que estreou a peça no final de 1983. A peça foi encerrada em dezembro de 1985, no Theatro São Pedro, após uma temporada de casas absolutamente lotadas. Logo depois fui morar em São Paulo e voltei a POA especialmente para a remontagem da peça - com o mesmo elenco - na metade de 1994. Foi uma época maluca porque eu estava com outra peça em cartaz no Rio de Janeiro e, ao mesmo tempo, gravava uma novela em São Paulo. Mas assim mesmo fiz a peça durante um ano, até sair definitivamente na metade de 1995. Foi também a última vez que aquele elenco se reuniu, antes da morte de Fernando Severino e Hermes Mancilha, dois atores maravilhosos, fundamentais na trajetória deste espetáculo. Foi um trabalho onde aprendi muito, do qual tenho até hoje muito orgulho e carinho. Desejo ao atual elenco muito sucesso nesta nova temporada. Vou tentar assistir quando estiver em Porto Alegre. Longa vida ao Bailei! Marcos Breda

14/05/2008

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