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Resenha

O Dilema das Redes e a necessidade de regulamentação perante riscos à sociedade
Nathália Rabelo

Checa o e-mail, faz o Pix pelo aplicativo do banco, dá uma "futricada" no que está bombando nas trends, abre a Internet para ler as notícias, dá o tablete para o filho assistir desenho e, de quebra, posta um story para divulgar a empresa nas redes sociais. Essa rotina te parece familiar, né? Para mim, e para grande parte da população, de fato é. Afinal, as redes sociais estão cada vez mais presentes na hora de se conectar com amigos, familiares, clientes e comunidade no geral. Mas será que o mundo digital é tão cor-de-rosa assim? O documentário "O Dilema das Redes" mostra o contrário ao denunciar a faceta assustadora pela qual essas plataformas passaram ao longo dos anos. Comandados por multinacionais bilionárias, negócios que começaram como uma ferramenta de apoio se tornaram uma grande arma de manipulação em grande escalada sobre os seres humanos.

Disponível no catálogo da Netflix, o documentário explora como as redes sociais e outras tecnologias digitais são projetadas para manter as pessoas engajadas e viciadas em seu uso. Em outras palavras, para que elas estejam sempre “online” e que esse tempo de uso se converta em lucro. Quantas vezes, por exemplo, você não passou o cartão por influência de um anúncio que "do nada" apareceu na sua timeline? Pois é, mas nada é "do nada". Vale ressaltar que as empresas de tecnologia conseguem fazer isso de maneira eficaz a partir da coleta de dados pessoais, usados para direcionamento de anúncios e conteúdos personalizados sem, necessariamente, o consentimento de seus usuários.

Por que é tão importante falar sobre esse assunto? Conforme dados mais recentes do PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), 90% dos domicílios brasileiros possuíam acesso à internet em 2021, o que representa 183,9 milhões de pessoas em um único país, com mais de 10 anos de idade, conectadas e usadas para rodar esse negócio altamente rentável - rentável para as grandes corporações, no caso. Os principais problemas começam com coleta de dados que pode ter sérias implicações na privacidade e segurança dos usuários, e também pode resultar numa série de efeitos colaterais negativos, como dependência tecnológica, comprometimentos físicos e sociais.

A partir de relatos de profissionais especializados, o documentário traz uma visão perturbadora do controle exercido pelas grandes empresas de tecnologia sobre os dados dos usuários e a maneira como essa "nova moeda" é usada para manipular suas escolhas, comportamentos, vontades, necessidades e relacionamentos.

Dessa forma, a regulamentação governamental é uma das medidas apresentada para mitigar tamanha influência das redes sociais na comunidade. Afinal, o governo deveria não só se mostrar interessado em fiscalizar tais atividades, mas também de propor multas e penalidades aos envolvidos. Sim, todo mundo sabe que Mark Zuckerberg chegou a responder criminalmente pelo vazamento de dados do Facebook, mas, até onde sei, a polêmica não o deixou menos popular, nem menos rico e nem menos envolvido nesse esquema.

Portanto, a regulamentação das tecnologias digitais e das empresas responsáveis por elas é uma questão crucial para garantir a proteção da privacidade dos usuários e a segurança dos dados pessoais. Para isso, é importante que as políticas públicas tenham como foco a transparência, a privacidade e a segurança dos dados.

Além disso, enquanto governos tampam os olhos para essa realidade enquanto ela traz benefícios a eles, cabe a nós a responsabilidade do acesso a esses locais cibernéticos, seja para o controle de acessos aos filhos, nas escolas ou até mesmo na conscientização pessoal do uso de determinadas plataformas.

Dessa forma, o documentário "O Dilema das Redes" é fundamental por levantar questões importantes sobre as práticas das empresas de tecnologia e suas influências nada inocentes na vida das pessoas. Assim, a regulamentação governamental, conscientização pública e responsabilidade pessoal são medidas essenciais para lidar com os efeitos negativos das redes sociais e tecnologias digitais em nossas vidas.


Nathália Rabelo, 24 anos, é formada em Comunicação Social - Jornalismo pela Universidade Católica Dom Bosco (UCDB) e está em período de especialização em Jornalismo de Dados pela FAAP (Fundação Armando Alvares Penteado). Apaixonada pelo poder das palavras e pela capacidade de contar histórias de forma impactante, se aprofunda no universo digital e trabalha como repórter de mídia online, além de produzir conteúdo digital para web. Acredita na importância de se adaptar às novas tecnologias e plataformas a fim de encontrar maneiras criativas e eficazes de compartilhar notícias. Participa do Curso Online de Formação de Escritores.


18/05/2023

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