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Adoro séries de televisão
Solon Saldanha

Eu sempre gostei de ver séries produzidas para a televisão. Coisa assim tão antiga que na época em que comecei chamavam de “seriados”. E o meu gosto também se portou de forma muito eclética. Nas últimas duas décadas, por exemplo, ele passeou por todos os episódios de OC, vistos ao lado de minha filha, então uma adolescente; passando pelos Vikings e seus hábitos um pouco exagerados, como o de usarem machados contra inimigos. Se na primeira a morte de Marissa (Mischa Barton) em acidente de trânsito causou comoção e mereceu episódio com uma trilha sonora e iluminação cuidadosa, muitos personagens da segunda enfrentaram esse fato de formas distintas e muito mais brutais. O lendário Ragnar, principal entre os protagonistas, vivido por Travis Fimmel, teve seu fim em uma cova repleta de cobras venenosas; sua companheira Lagertha (Katheryn Winnick) foi esfaqueada; e Bjorn (Alexander Ludwig) morreu atingido por flechas disparadas pelo exército russo. Decapitações, essas eram corriqueiras.

Mas, não foi para escrever sobre mortes que eu comecei esse texto. Os seriados dão vida a situações históricas, nos aproximam do fantástico, reescrevem histórias de amor, nos permitem dividir aventuras de fato extraordinárias. Desde modo, acompanhei o surgimento de heróis que antes conhecia dos quadrinhos, com Smallville e, mais recentemente, com Gotham. Comecei a ver com outros olhos os serviços médicos de emergência, em Emergency Room, e também conheci de perto toda a inteligência e o cinismo de um outro profissional da saúde, com House. Mais recentemente adorei O Gambito da Rainha, que me remeteu a um período no qual eu bem mais jovem de corpo e de cérebro, também me dediquei ao xadrez e disputei torneios. Sem títulos, claro. Dexter era tão frio e insensível diante da morte das pessoas, que teria tido um bom emprego no Ministério da Saúde aqui do Brasil, nos últimos anos.

Em Homeland gostei de ver o recurso do transporte no tempo, com a história tendo dois momentos distintos associados. Com Sex and City foi possível ver muitas coisas sob a perspectiva feminina e isso foi muito bom. The Crow reforçou – reforça, pois ainda estou vendo a última temporada – minha ideia do quanto são vergonhosamente inúteis os membros da família real britânica. Algumas comecei a ver e nem sequer concluí, como Lost, que tinha fama demasiada, mas não conseguiu me deixar “perdido” de paixão por ela. Tentei ainda ver Supernatural, mas não fui muito longe. La Casa de Papel começou bem e depois caiu muito de nível. Por outro lado, posso dizer que gostei bastante de Survivor, assim como da novíssima e tecnológica versão dada para antigo sucesso da época da TV em preto & branco, Perdidos no Espaço. Entre aquelas clássicas, Friends é sem dúvida o maior destaque. Mas eu gosto do humor nerd oferecido por The Big Bang Theory e, num estilo quase que totalmente oposto, posso ainda recomendar que vejam a Família Soprano, mafiosa como outras que se conhece, mas agindo com muito mais classe, mesmo que eu questione ser adequado usar esse termo.

Nos primórdios, eu via Jeannie é um gênio e também A Feiticeira. E até mesmo aqueles episódios cheios de onomatopeias e passados nas tardes pela TV aberta, quando Batman subia pelas paredes em um ridículo efeito de andar curvado diante de uma câmera virada, cheguei também a acompanhar. Tantos outros eu poderia citar aqui, mas o que importa é que cada um de nós que conhecemos e apreciamos o gênero temos razões para elogios e críticas, nossas predileções. Agora, sejam quais forem elas, com certeza ocupam lugar na nossa memória afetiva. Tanto que eu seria capaz de apostar que, agora mesmo, você que está lendo também elaborou sua lista mentalmente.

21/12/2022

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  Solon Saldanha

Solon José da Cunha Saldanha, graduado em jornalismo, tem especialização em Comunicação e Política, além de mestrado em Letras. Com experiencia na mídia impressa, rádio e assessoria de imprensa, atua como revisor estilístico de textos e professor universitário. Escreve contos e crônicas.

solonsaldanha@gmail.com


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