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Novo livro de Poetrix será lançado dia 23
Editora Metamorfose


Três versos, dois poetas, um desafio. Esse é o mote de "Desafio Poetrix", novo livro de Ana Mello, em parceria com Mario Ulbrich, que será lançado no dia 23 de julho, no Dado Bier do Bourbon Country, em Porto Alegre. 

O "Desafio Poetrix" é uma brincadeira entre os autores. Utilizando-se do novo gênero Poetrix, que é "um poema contendo um título e três versos, formando uma única estrofe", segundo Mario, eles provocam-se ao longo do livro produzindo poemas com o mesmo tema ou fazendo um contraponto ao poema anterior. 

O poetrix foi inventado em 1999 por Goulart Gomes, e possui algumas regras específicas, como a obrigatoriedade do título, o máximo de de trinta sílabas poéticas e a procura por leveza, exatidão, concisão, surpresa.

Segundo Ana, quem já escreve poesia tem facilidade para escrever Poetrix, pois entende bem de metáforas, de sonoridade e de rimas. Consegue condensar melhor suas ideias com poucas palavras e já trabalha com conceitos utilizados na poesia, como sílabas métricas, estrofes, versos, rimas internas e outros.

Para saber mais sobre o gênero, você pode ler a entrevista que os autores concederam ao site Escrita Criativa. Lá eles aprofundam o conceito e o objetibo da escrita de Poetrix.


Conheça a BULA POETRIX

O hai-kai é uma pérola; o poetrix é uma pílula.
Goulart Gomes
 
Com o objetivo de melhor definir o POETRIX, estabelecendo critérios quanto à sua forma e conteúdo que possam orientar mais precisamente os seus autores - os poetrixtas – a Coordenação Geral do Movimento Internacional Poetrix (MIP) divulg esta BULA POETRIX, conjunto de orientações para o aperfeiçoamento e uniformização deste gênero literário. 
 
1 POETRIX – Informações Técnicas
 
CONCEITO 
 
Poetrix (s.m.): poema com um máximo de trinta sílabas métricas, distribuídas em apenas uma estrofe, com três versos (terceto) e título.
 
FORMAS MÚLTIPLAS
 
São criadas em contextos comunicativos e constituídas como derivações do POETRIX; sua elaboração tem como características básicas o dialogismo, a intertextualidade e a polissemia da linguagem. Identificadas e reconhecidas pelo MIP como Duplix, Triplix e Multiplix são mesclagens de dois ou mais poetrix que se compõem com a participação obrigatória de variados autores e com suas poéticas formando sentidos complementares entre si (individualidade-interação-universalidade). 
 
2 CARACTERÍSTICAS DO POETRIX
 
2.1      O poetrix é minimalista, ou seja, procura transmitir a mais completa mensagem em um menor número possível de palavras e sílabas.
 
2.2      O título é indispensável. Ele complementa e dá significado ao texto. Por não entrar na contagem de sílabas, permite diversas possibilidades ao autor.
 
2.3      Não existe rigor quanto à métrica ou rimas, mas o ritmo e a exploração da sonoridade das sílabas é desejável.
 
2.4      Metáforas e outras figuras de linguagem, assim como neologismos, devem ser elementos constitutivos do poetrix.
 
2.5      É essencial que haja uma interação autor/leitor provocada por mensagens subliminares ou lacunas textuais.
 
2.6      Os tempos verbais – pretérito, presente e futuro - podem ser utilizados indistintamente.
 
2.7      O autor, as personagens e o fato observado podem interagir criando, inclusive, condições supra-reais, cômicas ou ilógicas (nonsense).
 
2.8      O poetrix deve promover a multiplicidade de sentidos e/ou emoções, não se atendo necessariamente a um único significado.
 
3 COMPOSIÇÃO
 
O POETRIX deve ser composto por ao menos um dos seguintes elementos, inspirados nas Seis Propostas para o Próximo Milênio, de Ítalo Calvino:
 
3.1      CONCISÃO: o mínimo é o máximo. O importante é dizer muito, falando pouco. O poetrix é uma pílula, que tem seu propósito determinado; é um projétil em direção ao alvo;
 
3.2      SALTO: é a metamorfose da idéia inicial, provocada no segundo ou terceiro verso da estrofe, acrescida de outros significados, permitindo uma nova perspectiva de compreensão do poetrix;
 
3.3      SUSTO: é o elemento inusitado e imprevisível que provoca surpresa ao leitor; é a fuga do lugar-comum, da obviedade, que desconstrói e amplia horizontes, mostrando outros caminhos, possibilidades, contextos;
 
3.4      SEMÂNTICA: exploração da polissemia de determinadas palavras ou expressões, permitindo a possibilidade de variadas leituras ou interpretações;
 
3.5      LEVEZA: jeito multifacetado de utilização da linguagem. Nesse sentido, o uso de imagens sutis deve trazer leveza, precisão e determinação ao poetrix e, com isso, provocar, no leitor, a abertura de renovadas construções mentais impregnadas de imprecisões e indeterminações, de novas possibilidades de interpretar a realidade, de desanuviar a opacidade do mundo. 
 
3.6      RAPIDEZ: máxima concentração da poesia e do pensamento; agilidade, mobilidade, desenvoltura; busca da frase em que todos os elementos sejam insubstituíveis, do encontro de sons e conceitos que sejam os mais eficazes e densos de significado;
 
3.7      EXATIDÃO: busca de uma linguagem que seja a mais precisa possível como léxico e em sua capacidade de traduzir as nuanças do pensamento e da imaginação;
 
3.8      VISIBILIDADE: qualidade de expressar e pensar imagens, colocando visões em foco; reflexo da qualidade imagética do poetrix, em cor, sombra, contorno e perspectiva; é o substantivar da poesia;
 
3.9      MULTIPLICIDADE: expressão da pluralidade de possibilidades intertextuais e polissêmicas, provocando interações e criando novas formas;
 
3.10 CONSISTÊNCIA: através da fuga das obviedades, dos lugares-comuns, buscando expressar-se de forma original. O poetrix rompe, naturalmente, com antigos esquemas simplificantes e reducionistas e investe num sistema complexo, cujas categorias são opostas à simplicidade: a complexidade, a desordem e a caoticidade, próprias de sistemas não-lineares, capazes de realizar trocas com o meio envolvente.
 
4 INDICAÇÕES:
 
4.1       EXPLORAR O PODER DO TÍTULO,. para o qual não há limite de sílabas. Uma das grandes vantagens do poetrix é a existência do título, que habitualmente não existe no hai-kai .
 
4.2       MINIMALIZAR. Eliminar todas as palavras que estão sobrando. Escrever um poetrix é lapidar um diamante. Raramente um texto está pronto em sua primeira versão. É necessário, sempre, aprimorá-lo.
 
4.3       PESQUISAR. Uma idéia original pode ser enriquecida com informações complementares, ampliando-a em conteúdo e significado.
 
4.4 UTILIZAR FIGURAS DE LINGUAGEM. Em todas as formas poéticas, o uso de figuras de linguagem, metáforas, tropos e imagens enriquecem bastante o texto.
 
4.5       PERMITIR QUE O NÃO-DITO FALE. Evite menosprezar a inteligência e a perspicácia do leitor. O poetrix deve instigá-lo a buscar significados nas entrelinhas, a descobrir outros contextos e sentidos.
 
5 CONTRA-INDICAÇÕES:
 
5.1      EVITAR AS ORAÇÕES COORDENADAS. Um poetrix não é uma frase fragmentada em três partes.
 
5.2      NÃO CONFUNDIR POETRIX COM HAI-KAI. Para isso, é importante conhecer, também, os fundamentos do hai-kai, que tem suas próprias características.
 
5.3      CONJUNÇÕES EMPOBRECEM O POETRIX: mas, contudo, porém, todavia, não obstante, entretanto, no entanto, pois, geralmente não servem para nada em um poetrix, podendo ser eliminadas sem prejudicar o texto.
 
5.4      NÃO FORÇAR RIMAS. Poetrix não é trova. Às vezes pode-se dispensar completamente uma rima utilizando-se bem o ritmo, a sonoridade e a riqueza semântica das palavras.
 
5.5      POETRIX NÃO É PROVÉRBIO, MUITO MENOS DEFINIÇÃO. Muito menos, frase de parachoque de caminhão. 
 
Coordenação Geral do Movimento Internacional Poetrix

 

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