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Literatura

Minha tabuleta eletrônica
Paulo Tedesco

Creio que depois desse artigo conquistarei detratores ferozes, gente de virtual faca em punho a atacar-me, afinal irei contra ao sacrossanto direito de se macaquear palavras estrangeiras, quando existem variantes no valoroso português brasileiro. Enfim, conduzo-me lentamente para a vitrina à espera da pedra e do impropério, sim, porque não há melhor lugar no mundo “shoppinizado” do que uma vitrina, ou montra, como se diz em Portugal, para se colocar ao olhar coletivo dos amantes de modas passageiras.

Comecemos pois com a palavra “tablet” usada ostensivamente em praticamente todas as redações de jornais e repetidas inclusive por escritores e professores de português. Ao estudar a história do livro, que tem por início entre sumérios e acadianos, na Mesopotâmia cerca de 3.500 a.C.  ou com registros entre os chineses, ainda antes dessa distante data, encontramos as tabuletas ou tabletes em barro, que muitas vezes eram carregados em caixas de madeira para serem lidas ou preparadas pelos escribas. Nesses livros que falam da história do livro, editados em diferentes e recentes épocas, eram tabuletas e tabletes em argila, que surgiam para identificar ao leitor o suporte que carregava os importantes textos em escrita cuneiforme, e que preservavam a fala do rei e da sociedade.  Quando volto ao jornal ou ao computador ou ordenador encontro, em contraste, essa palavra “tablet”, repetida à exaustão. Alguém pode explicar o que ocorre?

Não, nessa não me pegam, eu não arriscarei respostas, não senhor e senhora. Gosto de levantar dúvidas, coisas atinentes que me perturbam como beliscões inesperados em meio à multidão, é dolorido e fico me perguntando por quê? Porque insistem em usar a tal “internet” e “web site”? Basta um esforço, mínimo, para escrevermos internete e sítio ou página eletrônica, e tudo se resolve. Um vento bate à janela nesse instante em que pontuo a frase, e nele ouço murmúrios de descontentamento, internete e sítio são feios, que coisa horrível. Interessante o conceito de feio e horrível, nesses tempos tão pós-modernos...

Mas vá lá, sou dinossauro. Corpo grande, dentes grandes, olhos pequenos e ouvidos imperceptíveis perdidos numa cara abestalhada. Me alimento do verde das árvores de livros que contam a história do livro, que contam a história da humanidade e que remexem no pensamento e nos sentimentos do homem, e, confesso-me atônito, nunca vi, ao longo dos anos e de edições mais diversas, tanta coisa estranha ao português escrito por quem deveria ter um pouco mais de cautela; não muita, um pouco só, ajudava.


27/01/2012

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  Paulo Tedesco

É escritor de ficção, cronista e ensaísta, atua como professor e desenvolvedor de cursos em produção editorial e consultoria em projetos editoriais, também como orientador em projetos de inovação em diferentes setores. Trabalhou nos EUA, onde viveu por cinco anos, nas áreas de comunicação impressa, indústria gráfica e propaganda. É autor dos livros Quem tem medo do Tio Sam? (Fumprocultura de Caxias do Sul, 2004); Contos da mais-valia & outras taxas (Dublinense, 2010) e Livros: um guia para autores (Buqui, 2015). Desenvolveu e ministra o curso de Processos Editorais na PUCRS e coordena o www.consultoreditorial.com.br atendendo autores e editores. Pode ser acompanhado pelo seu site, pelo Facebook ou pelo Twitter.

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