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Reflexão

A longevidade do tempo ronda o século XXI
Maria Tereza Jorgens Bertoldi

As ideias políticas de Platão identificam-se com os princípios de Justiça Social, ainda não consolidados, na modernidade. É quase uma utopia os séculos que nos separam de Platão. Testemunham à beira do terceiro milênio, evidências tão reais no tipo do pensamento e de cultura do filósofo ateniense. A verdadeira filosofia do Bem, que segundo Sócrates é algo mais do que uma simples arte, é a concepção herdada por Platão e aplicada na “República”. Tomemos como argumento platônico, o estágio relativo à emancipação das mulheres. Tão atual, como em nossos dias, a propriedade que elucida os movimentos feministas de hoje.

Dizer que a mulher só difere do homem na função sexual, e em todas as demais funções tem a mesma capacidade, apenas com menos vigor, é sustentar a verdade do imortal filósofo, referindo-se ao assunto, em Callipolis. Na Grécia Antiga ou na China dos tempos modernos, a mulher proclama os seus direitos, tão milenares quanto à própria História. A proposta de Platão, na reforma da família, inclui a participação da mulher na educação e nas ocupações dos homens.

Platão não aponta, propriamente os “direitos” da mulher, mas os “deveres”, tal como a sociedade atual preconiza nos movimentos feministas. O princípio de justiça, frente ao Estado, na igualdade das funções, já reguladas por Platão, indica a eficiência do pensamento platônico, em revigorar uma forma de governo, em decadência. Estabelecendo um paralelo com a nossa suposta democracia, igualmente decadente e os ciclos das crises do Estado-Nação nos ocorrem sentimentos idênticos - sinais evidentes implícitos na raiz da alma humana.

É óbvio que o Estado idealizado por Platão põe a mulher a serviço do poder, sem a preocupação da continuidade da espécie num plano de vida familiar organizada. Para o autor da “República”, o elemento eugênico da família é menos importante do que a unidade do Estado. Apenas estabelecemos reflexões entre o sistema platônico exibindo o pensamento e as teorias do mestre sem, entretanto, comprometer a evolução social da modernidade.

Contudo, há um fluxo permanente; movimentos pendulares da História que retomam os caminhos preconizados pelos grandes filósofos da humanidade. Neles, buscam inspiração para forjar mudanças e ancorar ideias. Imprevisível é o equilíbrio de uma sociedade controlada por forças externas onde existem tantas distinções de classes, privilégios impostos que carregam a marca da corrupção e a decadência moral. O Estado ideal platônico buscava a eficiência com o poder de decisão. Preconizado no século V a.C. este Estado, porém, comprometia pela rigidez a liberdade de uma organização democrática.

Feita uma análise reflexiva do assunto, questiona-se em genial obra, o desejo de um Estado com função definida para o bem comum, sem ser objeto de satisfação para os governantes e as ideias políticas moldadas pela desintegração e falência social do poder ateniense. Remonta-se à Longevidade do Tempo e interroga-se: as ideias apregoadas por Platão, não seriam, em parte, àquelas que todos sonhamos?

03/10/2020

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  Maria Tereza Jorgens Bertoldi

Maria Tereza Jorgens Bertoldi graduou-se em Jornalismo (1998) pela PUCRS. Na mesma IES fez mestrado (2002) e doutorado (2009) em Comunicação Social. Em 2014, concluiu o Pós-doutorado em Comunicação Social na UMESP. De 2003 a 2007, foi coordenadora do Curso de Comunicação Social do Centro Universitário Projeção, em Brasília/DF, e do Curso de Comunicação Social da URCAMP/Bagé, de 2008 a 2012. Ministra aulas em nível de graduação e pós-graduação, nas áreas de Educação (Pedagogia e Letras), Comunicação, Comunicação Empresarial, Marketing, Administração. Pela Metamorfose, concluiu o Curso Oficina de Literatura e Escrita Criativa e o Curso de Revisão e Edição Textual. Atualmente, participa como aluna do Curso Livre de Formação de Escritores. Trabalha como produtora de conteúdos freelancer e colabora como colunista para o site Café Combustível.

mt.bertoldi@uol.com.br


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