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Reflexão

É a democracia que querem matar
Paulo Tedesco

Aquele que agride, aquele que queima livros, que ameaça com a mão-de-ferro, jamais terá a razão, porque a chance da sua mão-de-ferro voltar-se contra si e contra os seus é enorme, não sem antes haver prejudicado uma geração inocente e indefesa.

Mas democracia faz bem. Pouco importa se é dolorosa, se incorre em imperfeições, ou se, por vezes, a sensação de lentidão e cansaço predomine e nos desanime, não importa. A democracia sempre fará bem, e assim a história da humanidade vem provando nos últimos séculos.

E esse discurso de democracia está muito além de qual democracia se quer, sim, porque democracia pressupõe participação ampla e irrestrita, mas também, como efeito colateral, também pressupõe respeito e educação acima de tudo, e de todos. Não há diferença de democracia, a democracia é e ponto.

Só poderá erguer, portanto, a bandeira da democracia aquele ou aquela que tenha por princípio o diálogo para suas dúvidas, mas também que saiba calar-se quando é mais educado, e quando lhe for dada a palavra, se falar para uma maioria, deverá respeitar a minoria, ou as minorias.

Mas esse paradigma pilar da sociedade contemporânea, fundada ainda na Revolução Burguesa de 1789, de Igualdade, Liberdade e Fraternidade, nos recentes anos nunca esteve tão em cheque. Sim, leitor e leitora, há uma sombra de horror a nos cercar.

Darcy Ribeiro afirmava que o Brasil era também dotado de uma “civilização brasileira”, com características únicas acomodadas numa excepcional diversidade e singular experiência histórica no contemporâneo e numa nação continental. E parecia ter ele razão, pois, a se ver pelas próximas eleições no dia 28 de outubro, estaremos diante de uma situação ímpar na história.

Nossa democracia, ou melhor, nossa forma de tentar exercer a democracia vem sendo ameaçada abertamente. Um candidato ao onipotente cargo de presidente da república chama para si a responsabilidade de mais violência num país violento, e somente por isso é possível dizer que nossa democracia pode virar uma autocracia, ou ditadura, para ser mais direto.

Somos, portanto, e novamente, um povo ímpar no planeta, uma civilização, como falava Darcy Ribeiro. E por esse caminho, apresentamos ao mundo talvez a expressão mais incivilizada de se fazer política no país. E muitas das cabeças pensantes estão caladas, consentido com o absurdo.

Não esperemos o erro de alguns afoitos pelo poder e pela riqueza destruir nossa democracia, porque é a civilização contra a barbárie, e o Brasil, a nação brasileira pode dar essa resposta, de forma madura e engrandecida. Só depende de nós.

24/10/2018

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  Paulo Tedesco

É escritor de ficção, cronista e ensaísta, atua como professor e desenvolvedor de cursos em produção editorial e consultoria em projetos editoriais, também como orientador em projetos de inovação em diferentes setores. Trabalhou nos EUA, onde viveu por cinco anos, nas áreas de comunicação impressa, indústria gráfica e propaganda. É autor dos livros Quem tem medo do Tio Sam? (Fumprocultura de Caxias do Sul, 2004); Contos da mais-valia & outras taxas (Dublinense, 2010) e Livros: um guia para autores (Buqui, 2015). Desenvolveu e ministra o curso de Processos Editorais na PUCRS e coordena o www.consultoreditorial.com.br atendendo autores e editores. Pode ser acompanhado pelo seu site, pelo Facebook ou pelo Twitter.

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