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Literatura

Academia Brasileira de Letras de Câmbio
José Antônio Silva

Academia Brasileira de Letras de Câmbio. De câmbio de influência, de câmbio de prestígio – desta vez remetendo nada menos que às Organizações Globo (que, aliás, anos antes já havia infiltrado na “imortalidade” acadêmica o seu papai fundador, Roberto Marinho).

Agora foi a vez do comentarista político e de assuntos gerais do Globo, Merval Pereira, ocupando a cadeira ocupada até recentemente pelo romancista Moacyr Scliar. Verdade que é questionável até mesmo o desejo de fazer parte do mausoléu da ABL, com seu fardão e espadinha, com seu chazinho das cinco e rapapés.

Mas, já que existe – e foi fundada pelo melhor de todos os escribas nacionais, Machado de Assis – que ao menos sentassem em suas 40 cadeiras os escritores brasileiros.

Qual o quê! – como diria (ou não) Machado. Ivo Pitanguy, Marco Maciel, Eduardo Portella, Cândido Mendes e outros ilustres cidadãos de diferentes áreas lá estão, com suas nádegas imortalizadas nas poltronas da ABL. Ah, sim, dirão vocês: “Esqueceu de citar o Sarney!”.

Nã, nã, não. Esqueci não. Caso é que Sarney – bem ou mal – tem vários livros de prosa e verso publicados, incluindo o inesquecível “Marimbondos de Fogo”. Se suas picadas têm alguma qualidade literária ou não, me abstenho de julgar, pois não os li. Só ao escrever e lançar obras na área de literatura, porém, já ganha pontos em relação ao cirurgião plástico (por falar em “pontos”...) Pitanguy ou ao político radicalmente vertical Maciel.

Pior é a desfaçatez midiática e da maioria dos acadêmicos, que por via das dúvidas preferiu votar no jornalista global em detrimento de um escritor de verdade e de méritos inquestionáveis, como Antônio Torres. Autor de 17 livros, como os já clássicos “Um cão uivando para a lua”, “Os homens dos pés redondos” ou o recente “Meu querido canibal”, por ironia do destino em 2000 recebeu nada menos que o Prêmio Machado da Assis. Sabem de quem, né? Sim, dela mesma, a velha ABL.

Quintana, um dos grandes da poesia brasileira, sofreu por não ter jamais sido escolhido para a Academia. Não devia: embora abrigue alguns autores de talento acima de dúvidas, como João Ubaldo Ribeiro ou Lígia Fagundes Telles, a Academia vem se imortalizando como uma vitrine para egos poderosos de variados setores.

E mais. Acho até que está havendo um favorecimento da Rede Globo. SBT e Record também devem lutar para colocar lá seus próprios colunistas – ou pelo menos um apresentador.

Ser escritor, ao que parece, hoje em dia até depõe contra.

 


Este texto está também em http://lavralivre.blogspot.com


08/06/2011

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Comentários:

Que bom encontrar o Bauer p/ aqui; somos colegas no Portal Literal e gosto demais do que ele escreve. Mande um abraço,por favor.
Miriam Sales Oliveira, Salvador 15/06/2011 - 19:08
Não é nem o caso de uma campanha de Diretas, já! pra academia, Zé. Aquilo lá, tô com Aporelly... é casa de picareta. Também já tenho dois romances publicados, pura ficção. E 17 cadernos de poemas, essses apenas na internet. Sou suspeito pra falar do conteúdo disso, mas aceito a parceria de Quintana: não quero cadeira na academia essa, não insistam (É que também sou jornalista e trabalhei 10 anos na sucursal do Arroio Dilúvio...) Vai que... Mas, não, também tenho os pés redondos.
Adroaldo Bauer Spíndola Corrêa, Porto Alegre 15/06/2011 - 16:56
Sábia msg!Bom saber q/ gritos d'espanto e desdèm chegam de todo o Brasil,do Oiapoque ao Chui,o meu entre eles.
Ilustres escritores brasileiros refugaram o fardão.
Mas,não sei se o colega lembra q/ o próprio Barão de Itararé escreveu sobre esse balcão de negócios desde os primórdios do século passado,comentando a imortalidade do Chatô. O maoir humorista brasileiro dizia:-A casa de Machado de Assis passará a se chamar simplesmente Casa de Assis,sem machado,mas,com picareta."
Sublime esse meu guru.
Abraços de uma artista baiana,rsss
Miriam Sales Oliveira, Salvador 15/06/2011 - 13:13
enfim alguma verdade foi escrita neste 2011. tenho nojo da abl, com ou sem machadão. chá por chá, prefiro o do chapeleiro maluco...
pedro, São Paulo 15/06/2011 - 12:58
Estou numa campanha para colocar Bruna Surfistinha na ABL. Putaria por putaria, pelo menos a moça escreve livros.
Antonio Carlos, Porto Alegre/RS 15/06/2011 - 12:28
Dá-lhe, Zé. Merval publicou dois livros. Um em 1979, a quatro (cansadas) mãos. Outro no ano passado, reunião de excertos do jornal O Globo no raivoso estilo PIG. Isso no lugar da obra de Antônio Torres? Que os holofotes queimem a careca dos cambistas.
Sidnei Schneider, Porto Alegre/RS 09/06/2011 - 20:59

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