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Liberdade e respeito
Paulo Tedesco

Devemos falar em digital, em livro digital, e que soa quase heresia quando não falamos apropriadamente em leitura digital e da crise do acesso ao livro e do conteúdo. Pois aí é que reside o grande paradigma do início do século XXI, não há dúvida: decifra-me ou devoro-te, compreenda-me ou te consumirei para todo o sempre, por sua apressada prepotência e infeliz escolha.

Pois é preciso demonstrar que existe uma gigantesca incompreensão sobre o papel do livro fora do papel, ou seja, da leitura digital. É preciso, primeiramente, separar a crise no poder aquisitivo que recai sobre o brasileiro comum, da crise que perpassa o mundo editorial tradicional diante das inovações no acesso ao conteúdo e ao conhecimento. Sim, a crise brasileira é uma crise que retira leitores do mercado bruscamente e mantém a velha e sebosa elite com poder aquisitivo com capacidade de compra, e isso tem impacto no consumo do livro e na leitura, não há dúvida.

Claro que não há fórmulas, não há como. Estamos saindo de um ambiente analógico para um ambiente dado a virtualidades das mais diversas. E o que tem algum significado para alguns, para outros não passa de um grifo, aquele leão com asas e patas de águia, ou seja, não guarda sentido de qualquer espécie. Porque há leitores dos mais diversos e leitores novos, porém velhos, e velhos, porém de novos hábitos, e para essa individualização do consumo de conteúdo que vivemos, para essa personalização da leitura (não à toa o fenômeno dos celulares que individualizaram em absoluto nossas outrora comunicações de massas), não há fórmula pronta.

Então, por que não apostar na criatividade e fugir do lugar comum? Por que fazer joguinhos tolos de doar conhecimento e quebrar o ineditismo quando outros sabem cobrar pelo que fazem e produzem? Ou a regra do porco e da galinha vale também no mundo da promoção do livro digital e da leitura? Uns, pequenos, doam seu corpo, outros, grandes, doam nada mais do que alguns ovos?

Novos autores como novas editoras precisam do inédito e não podem ficar doando em prol de cadastros, promoções e outras invencionices, seu ouro maior. Estratégias de promoção são tão antigas como a propaganda e o merchandising, e para isso há quem estude e aprende, e faculdades inteiras, e não sai como franco atirador, porque o que está na estaca é o bem maior do homem, da humanidade: sua liberdade e seu conhecimento, e nisso há muito, mas muito mais do que índices de mercado e tabelas de crescimento.

Por fim, é à pressa que devoto esse artigo. Porque a pressa torna-se nossa inimiga nesses tempos multiconectados, e a pressa de enriquecer, de se achar a lâmpada mágica da riqueza, é o que condena ao medíocre as boas obras de arte. Se um autor de qualidade por vezes toma tempo na elaboração do clássico, por que uma editora, que se propõe a ter bons livros no catálogo, deve sequer pensar em caminho diferente? Sim, temos o sistema que nos pede resposta, mas, também, sim, temos um futuro que nos pede inteligência e sabedoria, sobretudo.


03/02/2017

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Comentários:

Gostaria de fazer um curso de Escrita, oficial, memorando,cartyas, redação.,
Edemilton Mendes Dos Santos, São Paulo 04/02/2017 - 15:50

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  Paulo Tedesco

É escritor de ficção, cronista e ensaísta, atua como professor e desenvolvedor de cursos em produção editorial e consultoria em projetos editoriais, também como orientador em projetos de inovação em diferentes setores. Trabalhou nos EUA, onde viveu por cinco anos, nas áreas de comunicação impressa, indústria gráfica e propaganda. É autor dos livros Quem tem medo do Tio Sam? (Fumprocultura de Caxias do Sul, 2004); Contos da mais-valia & outras taxas (Dublinense, 2010) e Livros: um guia para autores (Buqui, 2015). Desenvolveu e ministra o curso de Processos Editorais na PUCRS e coordena o www.consultoreditorial.com.br atendendo autores e editores. Pode ser acompanhado pelo seu site, pelo Facebook ou pelo Twitter.

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