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Por que ler mulheres?
Maurem Kayna

Desconfio que muitos leitores podem reagir ou resistir à hashtag #leiamulheres argumentando que boa literatura não tem gênero, é humana e universal. Então, para começar a conversa, acho que vale dar uma olhada nos resultados da pesquisa feita pela Alpaca Press sobre os hábitos de leitura de 2.538 brasileiros de todos os Estados:

  • a proporção de livros escritos por mulheres que é lido por leitores que leem mais de 10 livros por ano fica em torno de 1 a 2 (no máximo de 3 a 5, mas esta é uma resposta menos frequente);
  • apenas 30% das publicações no Brasil são de obras escritas por mulheres (dados de uma pesquisa da Universidade de Brasília)
  • em torno de 30% das personagens são mulheres

Uma outra abordagem pode ser vista no Suplemento Pernambuco, onde se pode conferir a experiência de Catherine Nichols com agentes literários e a diferença de receptividade aos textos com base no gênero do escritor (o mesmo texto enviado com pseudônimo masculino teve uma receptividade MUITO maior - 8,5 vezes maior, para ser mais exata).

Todos os dados e análises poderiam ser utilizados para responder à provocação do título, mas eu, pessoalmente preciso acrescentar mais um: como mulher e como escritora me interessa ter contato com a visão, técnica e criação de outras mulheres e escritoras. Ponto. (Não, isso não significa que eu não considere fundamental ter contato com a visão e a técnica de escritores homens do mundo todo, mas isso já aconteceu naturalmente por conta de sua maior representatividade nas publicações às quais tive acesso ao longo da minha vida de leitora).

Clubes #LeiaMulheres no Brasil

Inspiradas na iniciativa da escritora Joanna Walsh, que propôs o projeto #readwomen2014 (#leiamulheres2014), um grupo de mulheres de São Paulo iniciou um Clube de Leitura para estimular a leitura de um número maior de escritoras e tem ajudado a fomentar a criação de outros clubes em todo o país. Em pouco mais de um ano já foram formados clubes em 20 estados e no RS já temos dois clubes funcionando regularmente - em Porto Alegre e Rio grande.  Quem quiser conferir a programação mensal em todas as cidades pode acessar www.leiamulheres.com.br. E quem sabe você que está aí chei@ de vontade de movimentar coisas no mundo não agita um clube de leitura com essa proposta na sua cidade, bairro ou condomínio!? Aliás, lá no site Leia Mulheres tem link para todos os grupos do facebook de cada cidades e as responsáveis pela iniciativa tem apoiado a criação de novos grupos.

A experiência de Porto Alegre

O clube da nossa capital completou um ano de encontros mensais em agosto de 2016, graças à iniciativa de Clarissa Xavier, que foi atrás de espaço físico, organizou agenda e movimentou o grupo no facebook para chamar leitores e leitoras a discutir obras escritas por mulheres. O primeiro encontro aconteceu na Casa de Cultura Mario Quintana, depois passamos pelo gasômetro e já fomos muito bem recebidos na Aldeia, mas, de Março a Dezembro o clube tem endereço fixo: a Biblioteca Pública Municipal Josué Guimarães.

A escolha das obras se dá por indicação dos participantes e quando há mais de uma obra sugerida no mês, os presentes no encontro fazem uma votação. A dinâmica dos encontros é totalmente informal e as trocas que acontecem por lá são sempre muito enriquecedoras. Quem gosta de ler sabe da satisfação que há em partilhar as impressões de leitura com outras pessoas que leram a mesma obra e o quanto essa troca pode alargar nossa própria percepção sobre o texto, sobre quem escreveu e sobre a interferência de ambos em nosso próprio caminho. Por isso, aproveito o espaço para convidar para se juntarem ao grupo - que não é exclusivamente feminino, leitores e leitoras são sempre bem-vindos - seja virtualmente ou já no próximo encontro, que vai acontecer na Aldeia, onde discutiremos a obra Hibisco Roxo, de Chimamanda Ngozi Adiche.


29/12/2016

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  Maurem Kayna

Maurem Kayna é engenheira florestal, baila flamenco e se interessa por literatura desde criança. Depois de publicações em coletâneas, revistas e portais de literatura na web resolveu apostar na publicação em e-book e começou a se interessar por tudo que orbita o tema, por acreditar que essa forma de publicação pode ser uma das chances de aumentar o número de leitores no Brasil. Autora da coletânea de contos Pedaços de Possibilidade, viabilizado pela iniciativa da Simplíssimo.

mauremkayna@uol.com.br
mauremkayna.com/
twitter.com/mauremk


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