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Crise e Centralização no Livro
Paulo Tedesco

É preciso falar de lançamentos, das sessões de autógrafos. Algo que num passado, não muito distante, era considerado o grande evento do livro, o momento desejado e sonhado por autores e editoras, e que recebia farta cobertura da imprensa, provocando debates antes e depois da oficial entrega dos exemplares ao público – e de repente, no início do novo milênio, não é mais bem assim.

Por mais incrível que possa parecer, para uma sessão de autógrafos há, hoje, interesses divergentes. Para a editora, está quase como sempre: uma oportunidade primeira para promover aquele livro e o seu autor; para o autor também é a chance de chegar próximo de seus leitores e, autografando, dar um toque particular e pessoal ao exemplar vendido; para os livreiros, porém, é que algo mudou.

Para o pequeno livreiro, a sessão de autógrafos, ao que tudo indica, permanece um bom negócio. Sabe-se, afinal, de livrarias de bairro que oferecem incentivos a que se façam os lançamentos em suas dependências, desde um desconto inferior ao das grandes concorrentes sobre o preço de capa, até a oferta de vinhos e outros inteiramente gratuitos ao promotor do evento. O mesmo, porém, parece que não vem ocorrendo para as médias e grandes livrarias, infelizmente.

Nessas empresas livreiras, onde há também material escolar, CDs, eletroeletrônicos, recarga de celular, revistas e tantas coisas mais, um lançamento de livro passou a ser um extra para promover a loja e incentivar vendas, se tanto. E isso se confirma pela rede da Livraria Cultura, que, seguindo o que a rede Saraiva já vinha praticando, no início desse ano passou a centralizar em São Paulo todos os agendamentos de lançamentos de livros, junto com o gerenciamento dos exemplares a serem expostos nas prateleiras.

Esse é, certamente, o preço da crise, ou seja, enxugam-se estruturas, centralizam-se gerenciamentos e conquista-se o ponto de equilíbrio no curto prazo, que é reduzir custos mesmo que comprometam, um pouco, suas vendas. Até aí, tudo bem! É o jogo, afinal é o sistema, e as lojas precisam sobreviver. Mas, e os autores que se lançam por conta? E as editoras que começam? Pois, além do lançamento haveria, obviamente, a necessidade de colocar mais exemplares nas lojas, o que, sabidamente, nem sempre, ou raramente, é aceito pelas direções centralizadas das grandes livrarias, quando se trata de títulos e editoras de alcance local.

A sessão de autógrafos, portanto, nunca foi tão importante, inclusive como resposta a crises, feito essa. Épreciso buscar quem aceite qualquer autor e editora de braços abertos. Temos que torcer para que o laço desaperte o quanto antes eque as grandes repensem um pouco e encontrem alternativas – porque existem alternativas –, e também apostar na criatividade do livreiro de bairro ou de nicho, pois recaiu a ele ou ela, por enquanto, o privilégio exclusivo do contato direto com quem se autopublica e com as editoras pequenas e médias. E, mais que isso, reforçou sua importância como local onde a cultura respira, pois sem bibliodiversidade a cultura se estandardiza, decai e apodrece. E agora não parece boa hora para perdas.

Revisado por www.ngservicoseditoriais.com


15/03/2016

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  Paulo Tedesco

É escritor de ficção, cronista e ensaísta, atua como professor e desenvolvedor de cursos em produção editorial e consultoria em projetos editoriais, também como orientador em projetos de inovação em diferentes setores. Trabalhou nos EUA, onde viveu por cinco anos, nas áreas de comunicação impressa, indústria gráfica e propaganda. É autor dos livros Quem tem medo do Tio Sam? (Fumprocultura de Caxias do Sul, 2004); Contos da mais-valia & outras taxas (Dublinense, 2010) e Livros: um guia para autores (Buqui, 2015). Desenvolveu e ministra o curso de Processos Editorais na PUCRS e coordena o www.consultoreditorial.com.br atendendo autores e editores. Pode ser acompanhado pelo seu site, pelo Facebook ou pelo Twitter.

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