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Vender livro é a alfaiataria da memória
Paulo Tedesco

A arte de vender livros retoma os primórdios de Gutemberg e sua máquina impressora. Os editores, uma vez impressos os livros, os colocavam sob o braço ou lombo de mula e saíam pela Europa a vender porta a porta e em feiras de livros periódicas. Depois, com o crescimento das cidades, surgiram as livrarias que junto com as bibliotecas passaram a dispor, permanentemente, os livros feitos por aqueles mesmos editores.

Com o advento da internet, a não mais de duas décadas atrás, porém, a extinção das livrarias e o final dos tempos para o livro físico pareceram reais, o que encerraria o ciclo iniciado lá no século XV.

A boa surpresa é que em meio a uma grave crise econômica do capitalismo, a maior vendedora e incentivadora de livros digitais – a norte-americana Amazon – de repente, inaugura uma loja de tijolo e argamassa e há rumores (muitos consistentes) de que em breve vai ampliar a sua rede. Enquanto isso, no mesmo país desta grande crise – os EUA – as livrarias pequenas e médias estão a retomar seu crescimento após anos de encolhimento em seus números. Mas isso tudo não significa que o mundo do livro recuperou seu espaço como antigamente, isso não volta mais.

Mas a Amazon decidir investir em pontos físicos de vendas físicas de livros não significa que o mundo do livro recuperou seu espaço como antigamente, isso não volta mais.  As pequenas e médias livrarias, inteligentemente, estão voltando a ficar cada vez mais próximas dos seus clientes quando auxiliam individualmente, e caso a caso, as leituras e pesquisas dos seus leitores – desta forma cavam sua própria trincheira no mercado. Tal como faziam, e ainda o fazem, os alfaiates e costureiras: cada corpo uma roupa, cada ponto uma casinha.

Para o editor, aquele editor que estiver atento, mas muito atento, às demandas de alguns nichos e que conseguir interagir com as redes sociais, fazendo o impossível para deixar qualquer título de seu catálogo à venda (inclusive os que até a pouco chamávamos de “fora de catálogo”), a este editor é também garantida a vida longa no mercado editorial. Afinal, não há mais livro nem roupa fora de moda, o que existe é memória adormecida, à espera de quem a reanime.

E ao autopublicador (selfpublisher), o que resta nestes tempos novos? Ora, ele ou ela não deve temer parcerias com editoras de autopublicação, bem como os trabalhos permanentes e intensivos nas redes, divulgando seus conteúdos e vinculando sua área editorial (todo autor precisa ter uma bem definida) a grupos em rede e a determinados nichos.  O autor, também, não deve temer apostar em outros mercados de outras línguas, contando com editoras e tradutores que o possam ajudar. Um livro, hoje, não tem mais fronteiras, a não ser a da língua e dos limites da ignorância.

Não foi desta vez que derrotaram o livro, como não derrotaram a leitura e o conhecimento na entrada do novo milênio. Os fatos estão aí para provar que é preciso trazer cada vez mais os títulos para perto do leitor, realizando a missão de quem tem o livro como um bem maior: a permanência da memória.

Revisado por www.ngservicoseditoriais.com


01/03/2016

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  Paulo Tedesco

É escritor de ficção, cronista e ensaísta, atua como professor e desenvolvedor de cursos em produção editorial e consultoria em projetos editoriais, também como orientador em projetos de inovação em diferentes setores. Trabalhou nos EUA, onde viveu por cinco anos, nas áreas de comunicação impressa, indústria gráfica e propaganda. É autor dos livros Quem tem medo do Tio Sam? (Fumprocultura de Caxias do Sul, 2004); Contos da mais-valia & outras taxas (Dublinense, 2010) e Livros: um guia para autores (Buqui, 2015). Desenvolveu e ministra o curso de Processos Editorais na PUCRS e coordena o www.consultoreditorial.com.br atendendo autores e editores. Pode ser acompanhado pelo seu site, pelo Facebook ou pelo Twitter.

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