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Na era do Self-Publishing
Paulo Tedesco

Não dá mais para ignorar, não há como, o mercado do self-publishing amadureceu e veio para ficar. Simples assim. Você, autor, agora é um autor-empreendedor, responsável direto pela sua carreira, e como nunca antes responsável por cada uma de suas publicações. Aquele sonho de uma editora redentora, empresa benfazeja que permitiria você ficar em casa enquanto seus livros estavam sendo editados e vendidos, bastando versua conta no banco e alguns jornais para saber da resposta do mercado, acabou.Esse sonho já não mais existe.

O que pode ser triste e decepcionante para alguns,transformou-seem oportunidade para milhares. Se toda aquela acomodação terminou, no lugar surgiu a desacomodação. Em outras palavras: a atitude é o que vale. Os acomodados, então,diriam “mas não nasci para fazer circo, quero somente escrever”. Pobre gente. Um pouco de observação e estudo mostram que não somente um fracasso de vendas podelhe obrigar a sair da caixa, como o futuro de seus direitos autorais, toda a herança cultural e a eternidade de seus livros, nesse exato instante, podem estar seriamente comprometidos.

Terrorismo? Não, realismo. O mercado mudou. O paternalismo de editores e agentes literários tornou-se totalmente desnecessário, obsoleto. Por obra da tecnologia mas também por obra da própria globalização, goste ou não, todo autor agora é um autor para muito além de sua aldeia. Um texto, neste milênio, acontece mundial ao toque de uma tela. E pode enriquecer alguns, pode animar a outros, e pode até miserabilizar tantos, mas a consciência, essa coisa terrível que Dostoiévski anuncia, nunca antes foi tão urgente.

O livro só é papel depois do digital.Logo, o digital é o primeiro e inequívoco passo para se tentar compreender o que passa com o que escrevemos. E não se está a falar nos tais “ebooks”, que não passam de formatos rudimentares do que ainda está por vir. Quando se fala em digital se fala em multi-conexões, publicação instantânea, impressão um a um, leitura multilingual e tantas outras desconhecidas possibilidades de leitura. E onde fica o editor, ou melhor, a relação tradicional e ultrapassada com o editor? Resposta: na lata do lixo a história.

Fiódor Dostoiévski escrevia como um louco para tentar pagar suas contas, que eram consumidas pela jogatina e uma vida cercadas de credores, até que, velhinho, encontrou estabilidade. Um editor quase lhe tomou todos os direitos autorais,justamente por essa relação que hoje é declarada extinta. Não por coincidênciao livro “Um Jogador” foi o resultado direto desse momento.De certa forma prenúncio de que algo de muito errado havia entre um editor e um autor.

Então, o autor que guarda com temor seus originais e feito alguns consagrados escritores do passado, toda a manhã abre sua caixa postal à espera do famoso aceite de alguma casa editorial, pode muito bem utilizar essa passagem da sua vida como boa parábola do fim de uma era. E a liberdade chegou. A alforria do autor é o verdadeiro acontecimento da nova era do livro. E isso ninguém mais consegue segurar, ninguém. Todo autor precisa sonhar não mais com um editor ungido dos céus, mas com a melhor estratégia adotada para cada um de seus títulos. E depois, depois é lutar para ser feliz.


13/10/2015

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  Paulo Tedesco

É escritor de ficção, cronista e ensaísta, atua como professor e desenvolvedor de cursos em produção editorial e consultoria em projetos editoriais, também como orientador em projetos de inovação em diferentes setores. Trabalhou nos EUA, onde viveu por cinco anos, nas áreas de comunicação impressa, indústria gráfica e propaganda. É autor dos livros Quem tem medo do Tio Sam? (Fumprocultura de Caxias do Sul, 2004); Contos da mais-valia & outras taxas (Dublinense, 2010) e Livros: um guia para autores (Buqui, 2015). Desenvolveu e ministra o curso de Processos Editorais na PUCRS e coordena o www.consultoreditorial.com.br atendendo autores e editores. Pode ser acompanhado pelo seu site, pelo Facebook ou pelo Twitter.

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