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Escola: a salvação e a maldição da Literatura Infantojuvenil
Cláudia de Villar

Não há como negar que a escola é o principal local de “consumo” da literatura infantojuvenil. Basta olhar as livrarias que estão abarrotadas de livros infantis e juvenis com suas capas e brilhos chamativos com o intuito de conquistar a atenção dos pequenos e iniciantes leitores, mas dificilmente, salvo os jovens, uma criança irá sozinha a uma livraria a fim de comprar um livro, diferente do adulto, que toma essa atitude sem a necessidade de ter outra pessoa que faça isso por ela. Portanto, quando um pai decide levar o seu filho a uma livraria, se ele não tem nenhuma obra específica, certamente, esse pai comprará o livro pelo preço, capa ou por sugestão de um vendedor. Poucas vezes eu vi uma criança decidir o que deseja comprar a não ser que seja seduzida pelo livro com capa mais fofinha ou com figura apelativa de bichinho semivivo(livros-brinquedos). Portanto, a escola é o local destinado a prestar esse serviço: a comercialização eo divulgador de obras infantis e juvenis.

Contudo, nada é tão fácil, não basta escolher uma escola e chegar lá com a sua obra. Há processos, etapas, “QI, quem indica” e tantas outras vírgulas e aspas nesse contexto que essa tarefa se torna uma árdua tarefa. Primeiramente, escolas estaduais e municipais são apoiadaspelo governo através de programas de leituras (ADOTE e ESCRITOR NA ESCOLA), ao qual já restringe em 50% (estimativa não oficial) a escolha de obras e autores, uma vez que funcionários estaduais não podem participar de programas de leitura do Estado por impedimento da norma da casa. Depois vem a escolha dessas obras que passam por uma seleção através de júri, no município do Porto Alegre, por exemplo, através da Câmara do Livro, o autor, para concorrer à oportunidade em ter sua obra nas escolas, deve ter no mínimo cinco livros já publicados aos quais deve disponibilizar tais livros para análise. Bem, aqui o escritor terá que escrever e ter grana para bancar cinco obras para depois vender às escolas. Mas mesmo depois de selecionado, o escritor ainda passará pela escolha de cada escola.

Há também as escolas particulares que possuem suas feiras de livros, e aí depende de uma boa editora que toma a iniciativa e oferece o seu escritor ou a cara de pau do próprio escritor que entra em contato com a instituição e oferece o seu livro. Nada é fácil. Na verdade, o que mais funciona mesmo é o QI. Se você tem bons contatos você poderá encontrar o seu lugar ao sol. Há muita sombra nesse ramo. A própria classe dos escritores tem o seu grupinho que está sempre junto nos mesmos projetos e eventos. Por que será?

Num mar de letras e livros, nadar nessa praia fica difícil. Há as exceções. Nada é definitivo, mas não é fácil a comercialização de obras infantis e juvenis. E quando surgem as feiras de livros, o escritor ainda tem que competir com obras estrangeiras com seus preços mais baratos, e esse argumento muito conquista os pais desavisados e que não têm experiência na hora da escolha da boa literatura e acaba comprando o mais colorido e o mais barato.

Por fim, a escola passa ser a heroína e a vilã dos escritores que destinam a sua palavra ao público infantil e juvenil, pois ela tem o poder do SIM e do NÃO. Bem como está nas mãos e na lábia do escritor em fazer propaganda de sua obra, mas como concorrer isoladamente nesse meio, como nadar num mar tão perigoso, entre tantos tubarões e conquistar o seu metro cúbico pessoal de água para sobreviver? Tem que ter garra, força de vontade, cara de pau e alguma grana para investir na carreira de escritor.


06/05/2015

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Comentários:

Bom dia, Maria Helena Zancan Frantz! Obrigada por ter participado! Volte sempre, guria! Bj
Cláudia de Villar, Porto Alegre/RS 15/05/2015 - 09:27
Bom dia, Luiz Sa! Os exemplares destinados à Câmara Rio-Grandense do Livro é para serem analisados pelo corpo de "jurados" ou pessoas destinadas a fazerem uma análise das obras. Somente depois de obras analisadas elas serão selecionadas para então serem escolhidas pelas escolas através do Projeto Adote(município) ou Lendo Pra Valer(estado). Espero ter esclarecido a sua dúvida e agradeço a sua participação. Abraço, Cláudia de Villar.
Cláudia de Villar, Porto Alegre/RS 15/05/2015 - 09:26
"...deve ter no mínimo cinco livros já publicados aos quais deve disponibilizar tais livros para análise". Não entendi essa parte. Parece truncada. Para quem devem ser disponibilizados os livros: para a Câmara do Livro ou para as escolas?
Luiz Sa, Porto Alegre RS 14/05/2015 - 12:11
Excelente texto. Parabéns!Como na maior parte dos grupos, esse também é um grupo bastante fechado.E se você não fizer parte do grupo, fica muito difícil.
Maria Helena Zancan Frantz, Ijuí-RS 14/05/2015 - 10:44

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  Cláudia de Villar

Cláudia de Villar é professora, escritora e colunista. Formada em Letras pela FAPA/RS, especialista em Pedagogia Gestora e em Supervisão Escolar pelo IERGS/RS, também atua como colunista de site literário Homo Literatus e Jornal de Viamão do RS, além de ser pós-graduanda em Docência do Ensino Superior (IERGS/RS). Escreve para diversos públicos. Desde infantil até o público adulto. Passeia pela poesia e narrativas. Afinal, escrever faz parte de seu DNA.

claudiadevillar@yahoo.com.br
claudiadevillar.blogspot.com/
www.facebook.com/claudia.devillar


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