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Criação Literária

Sobre a crítica ao texto
Marcelo Spalding

Todos nós, que gostamos de escrever, temos grande carinho pelos nossos escritos. Muitos escritores chegam a dizer que criticar um texto seu é como criticar um filho, e quem tem filho sabe como isso dói. E irrita.

Entretanto, é importante para quem participa de uma oficina encarar as críticas de forma positiva, com maturidade. Quando se envia um texto para ser lido tecnicamente por alguém, o que se está esperando é exatamente a crítica, a sugestão, o olhar de fora que nos dirá onde podemos melhorar. Se o texto for devolvido com um “muito bom” ou “parabéns”, pouco ou nada tal leitura contribuiu com você.

Confesso que muitas vezes recebo textos tão bons que pouco ou nada teria para mexer, mas faço um esforço para encontrar aqui ou ali algumas recomendações a fim de tornar mais produtiva a apreciação. Vale ressaltar, também, que quando falamos em escrita criativa não podemos falar em “erro” do texto. Há erros, claro, e esses devem ser apontados (muitas vezes, erros linguísticos, que sempre se refletem na capacidade criativa), mas o que faço na maioria são sugestões, impressões, que podem ou não ser adotadas pelo autor do texto, por quem irá assiná-lo.

Um exemplo: recebi este belo texto da participante Tânia Melo (http://escritacriativaonline.blogspot.com.br/2012/10/magia-cigana.html). Gostei muito, mas entre algumas sugestões pontuais, sugeri que ela fizesse parágrafos mais longos, fragmentando menos o texto. Em resposta, a Tânia disse que preferia parágrafos curtos pelo bem da agilidade do texto, achava os parágrafos longos muito cansativos. Perfeito, está aí uma justificativa consciente que marca o estilo do autor. Não que eu tenha mudado minha opinião, mas respeito a da autora e, mais do que isso, o texto funciona.

Enfim, nossos textos podem ser como nossos filhos, mas mesmo nossos filhos podem, de vez em quando, ser criticados, não é mesmo? Aliás, que bom seria se tivéssemos uma consultoria rápida para saber o que fazer quando nossos bebês jogam a comida longe ou fazem manha no meio do shopping. Provavelmente eu não gostaria de ouvir a resposta, mas é possível que isso me ajudasse a melhorar bastante.


20/04/2013

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Comentários:

Concordo com todas as críticas que fizeste até agora, percebo como é difícil mostrar e não narrar, parece que a escrita acadêmica acaba nos viciando num determinado modelo. E a falta de planejamento do final da história realmente propicia uso de clichês.
Carla Pintado, POA/RS 25/03/2017 - 14:20
As críticas que o professor Marcelo faz são super relevantes para quem almeja melhorar a produção da escrita criativa. É como ele mesmo diz em suas aulas: gostar de escrever é bom, mas o mais importante é ter persistência, não desistir e buscar aprimorar cada vez mais o texto literário.
Giovanna Leite, Campina Grande - Paraíba 20/03/2017 - 21:24
Marcelo, as críticas são imprescindíveis para o aprendizado.
Maria Auxiliadora R Araujo, Salvador 20/03/2017 - 13:59
Quando cursei mestrado, meu orientador escrevia em letras garrafais: "NÃO ENTENDI NADA!, REESCREVA, TEXTO CONFUSO. Muitas vezes fiquei chateada, mas no final concluí que as críticas foram fundamentais para meu aprendizado. Achei suas recomendações pertinentes e buscarei aprimorar.
Marilia Monteiro Alvim, Rio de Janeiro - RJ 15/03/2017 - 19:23
Marcelo, considerei suas observações pertinentes, pontuais e transformadoras. Como meu desejo é melhorar minha escrita, continuarei aberto para o aprendizado. Alguém, certa vez disse: "Amo os que me criticam porque me ajudam; evito os que me bajulam porque me corrompem".
Obrigado!
Wadson Vieira, Novo Hamburgo/RS 20/01/2017 - 08:39
Marcelo, sua leitura crítica me ajudou muito. Fiquei surpresa e contente com seu olhar apurado e atento, que vê bem mais que o meu. Eu achava que escrevia bem, daí a surpresa ao receber suas correções e observações. Fiquei contente por perceber que posso melhorar. Os meus textos são, sim, como filhos que estão em fase de crescimento e precisam de atenção e cuidados. Quero vê-los bem crescidos, bem arrumados e bonitos! Por isso estou participando de sua Oficina de Escrita Literária. Muito grata.
Rosa Maria, Bragança Paulista/SP 11/10/2016 - 18:04
Marcelo, realmente, receber uma crítica. às vezes, é difícil. Quando escrevemos, eu por exemplo, crio um laço emocional com minhas palavras e meu estilo que, receber uma crítica, dói. Soa como se eu 'fosse' errada, quase algo pessoal. Há que se ter um tempo para respirar, parar e refletir sobre a crítica recebida. Uma conversa sobre o ponto criticado ajuda muito. Mas, com o passar do primeiro impacto, percebemos que as críticas servem para enriquecer o texto. A partir desse entendimento, tudo flui melhor e ocorre o crescimento literário. Muito bom o seu texto. Abs.
Cláudia de Villar, Porto Alegre/RS 12/07/2013 - 13:57
Acho que se alguém se dispõe a participar de uma oficina está interessada em aprimorar e, comunicar-se com os leitores de seu tempo. É papel do mestre apontar uma direção e ensinar o certo, a personalidade é única e não será mudada pela crítica.
LIANDRO, PORTO ALEGRE 09/05/2013 - 02:49
´Marcelo,acho certo tua atitude.Quando estamos participando de uma oficina é para aprender,melhorar nossos textos.Já participei de várias oficinas e os escritores ensinavam e criticavam.A melhor oficina que fiz foi com o escritor Alcy Cheuiche.A gente lia o conto para todos os participantes e ele aprovava e aos poucos ia corrigindo os erros,respeitando o que cada um escrevia.Assim todos adoraram a oficina e ninguém se sentiu. bloqueado. Moacyr Sclair usava o mesmo método.Já o Kiefer mandava colocar no lixo.Acho que isto bloqueia o aluno.
Suely Braga, Osório -RS 22/04/2013 - 21:34

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  Marcelo Spalding

Marcelo Spalding é formado em jornalismo e mestre em Literatura Brasileira pela UFRGS, professor da Oficina de Criação Literária da Uniritter, editor do portal Artistas Gaúchos, autor dos livros 'As cinco pontas de uma estrela', 'Vencer em Ilhas Tortas', 'Crianças do Asfalto', 'A Cor do Outro' e 'Minicontos e Muito Menos', membro do grupo Casa Verde e colunista do Digestivo Cultural. Recebeu o Prêmio AGES Livro do Ano 2008 pelo livro 'Crianças do Asfalto', categoria Não-Ficção, e o Prêmio Açorianos de Literatura em 2008 pelo portal Artistas Gaúchos.

marcelo@marcelospalding.com
www.marcelospalding.com
www.facebook.com/marcelo.spalding


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